A corrida incessante de se superar, eleva o ser humano a tal ponto, de buscar sempre mais, colocando o homem em constante batalha interna, gladiando-se com sigo mesmo, injetando em cada atleta o desejo de estar cada vez mais alto, mais do que ontem e muito mais amanhã. Isso traduz um pouco o que é o ultramaratonista, um atleta comum como outros das inúmeras modalidades esportivas existentes, com suas qualidades e defeitos, mas que olha para seus desafios não como um gigante invencível, mas como um grande obstáculo à ser vencido. Dessa forma, 30 guerreiros estarão como “pioneiros “, os primeiros a enfrentar uma nova prova, os “300 - O Desafio, organizado pela Ultra Runner Eventos, com largada dia 21 de Abril, em Tiradentes MG, corrida de 300 km, percorrendo a famosa estrada Real, com sua linha de chegada em Passa Quatro, também em Minas Gerais. Todos os atletas que estarão presentes possuem grande experiência em provas de ultramaratona, com muitas provas em seus currículos. Mas é claro que percorrer 300 km é um gigantesco desafio, independente da experiência do atleta. Serão pelo menos duas madrugadas a serem vencidas, além da altimetria desafiadora, com muitas serras pelo percurso, mas nada que intimide os “malucos” que estarão encarando “300 - o Desafio”. Entre os nomes desafiados encontra – se nomes tradicionais nas principais provas brasileiras, como Pedro Luiz Cianfarani, Gecier Gomes, Agnaldo Sampaio, Delino Tomé, entre outros, atletas que já estiveram em situações extremas, em corridas duríssimas e que certamente darão um show de superação, buscando cada vez mais se superar, a cada metro percorrido, a cada morro escalado, vencendo cansaço, Sono e todo tipo de dor, objetivando vencer a distância, vencer a si mesmo.
sábado, 15 de abril de 2017
terça-feira, 4 de abril de 2017
PREPARANDO PARA GUERRA
Assistindo
filmes históricos de guerra, aquele entretenimento superficial de fim de
semana, me peguei refletindo como seria um treinamento para esse episódio tão
triste e catastrófico. Uma guerra leva o ser humano ao extremo do extremo, seja
físico ou psicológico, onde muitos acabam sucumbindo para si mesmos, antes de cair
diante de seu adversário. Como estimular os aspectos exigidos a fim de deixar o
combatente preparados para defenderem sua pátria ou causa, sem eliminá-lo ainda no
treinamento. Em meio a essa reflexão, veio a mente a preparação que nós, os
ultramaratonistas que participarão dos “300 km O Desafio”, organizado pela
Ultra Runner Eventos, faremos para estarmos prontos pra encarar essa temida distância.
Será que existiria algo específico, estímulos a serem executados que nos dariam
a certeza de estarmos preparados para engolir os 300 km, sem anseio ou temor?
Mesmo com a ciência evoluindo a cada dia, estruturando o conhecimento
científico que dá base aos treinadores, para desenvolverem uma preparação organizada,
muito se discute na ultramaratona, principalmente sobre o volume e a
intensidade dos treinos a esses atletas, que em sua grande maioria, trabalham o
dia inteiro, dormem pouco e se viram no avesso para acharem um tempinho pra
treinar. Muitos atletas se entopem de rodagens, castigam seus corpos em treinos
de força, chegam a percorrer quilometragens insanas, deixam suas vidas
exclusivas a corrida, a fim de se prepararem plenamente para uma ultramaratona,
passam da linha e chegam sem condições físicas de correr a prova. Daí vem
novamente a pergunta, como se preparar para uma prova de tamanha distância,
como os 300 km do “O Desafio “? Respeitando cada teoria de cada treinador,
observa-se em comum que muitos estimulam a capacidade aeróbia, com muitos
treinos longos, específicos que essa modalidade exige, rodagens de muitas
horas, normalmente em baixa intensidade, auxiliando no aumento da auto
confiança do atleta. Outros treinos que acabam sendo frequentes, são quando esses
desafios serão realizados em montanhas, são as rodagens em subidas e descidas, no
meio do mato ou até mesmo em plena zona urbana, onde os atletas sobem e descem
sem parar, durante horas e horas. No meio disso tudo, encontramos a musculação
pra fortalecer a musculatura e os treinos intervalados de intensidade (os
tiros) com seus objetivos de adaptações fisiológicas, tudo isso pra deixar o
atleta preparado pra guerra. Encaixar tudo isso a um ser humano que trabalha
por 12 horas diárias, dorme pouco e normalmente não tem uma dieta ideal, torna
– se um quebra cabeça, para não correr o risco de ao invés de deixa-lo
preparado no dia da prova, ele esteja exausto, com várias tendinites,
literalmente quebrado para percorrer seu desafio. Estar resistente às muitas
horas de atividade, forte para superar as terríveis subidas, emocionalmente
pronto para virar várias madrugadas e ainda por cima feliz por estar nessa
prova que promete ser um sucesso, vem de encontro com a maioria dos atletas que
temos contato. O treinamento foi realizado com sucesso, alcançamos nossos objetivos traçados quando
decidimos enfrentar “O Desafio “.No dia 21 de Abril, meu irmão Pedro Luiz e eu,
enfrentaremos os 300 km da Ultra Runner e veremos se nossa estratégia de treino
nos preparou de forma significativa ou não para nossa “guerra”. Depois contamos
como foi!
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Brazil 135 2017- Um novo contexto
Um velho e conhecido cenário, de muitas lembranças e intensas experiências, em um novo contexto. Assim os dois Ultraloucos, Pedro e Dicler, vão enfrentar o percurso da Brazil 135 Ultramarathon, que terá sua largada dia 12 de Janeiro, na já tradicional cidade de São João da Boa Vista e sua chegada em São Bento do Sapucaí, 261 km de muita luta. Acostumados a enfrentar o percurso na categoria solo, nossos guerreiros se uniram e vão encarar a categoria duplas no evento. Apesar de parecer mais fácil, pelo fato de revezar a distância, nesse tipo de prova as dificuldades são outras, por esfriar o corpo constantemente nas trocas, onde cada atleta vai percorrer uma parte, revezando a cada trecho, dificultando a retomada da corrida e consequentemente do ritmo. Cada período de repouso vem com o objetivo de recuperar a musculatura e articulações, para momentos mais tarde por o pé na estrada e “explorar a máquina “ ao máximo. Gecier Gomes e Cordeiro Ananias também formarão outra dupla, que dá mesma forma vão dar tudo de si, na mesma “pegada, na mesma jornada. Outro ultralouco no evento, José Antônio Parreira, enfrentará os 261 km sozinho, uma longa jornada a ser percorrida, onde muitas vezes o aspecto psicológico é mais importante do que o físico. Essa é a aposta de Parreira, que não deixa a alegria de lado, levando – a consigo por todo caminho, vencendo pouco a pouco a temida distância, das inimagináveis subidas e curtindo o visual.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
COMEÇANDO PELO TELHADO
Vários produtos que
desejamos alcançar, existem processos coerentes a percorrer, etapas a serem
cumpridas. Um grande e mais usado exemplo e ditado popular é que "não se constrói uma casa começando
pelo telhado". Se não for estabelecido um alicerce sólido e bem feito, com
certeza tal casa encontrará sua ruína precocemente, se ao menos chegar a ser
edificada. No mundo esportivo não é
diferente, onde normalmente para se chegar num alvo, principalmente se for um
grande alvo, muitas pequenas pedras deverão ser colocadas pelo caminho, para
dar sustentação. Como alguém que começa a praticar boxe pode almejar ser
campeão mundial logo em sua segunda luta? Uma longa trajetória, provavelmente,
será percorrida, que certamente dará estrutura e experiência para o praticante
perseguir seu sonho. Isso acontece, de certa forma, também na corrida de rua,
onde pessoas acabam de ingressar no mundo das corridas, sem nenhuma aptidão e
preparo e já planejam a curto prazo percorrer uma maratona, sem passar por
etapas preparatórias. Quando procurado por um aluno iniciante e questionado se é possível percorrer os 42 km de uma maratona,
minha resposta é sempre a mesma: possível é, mas nem sempre é indicado. Isso vai variar o nível físico, experiência esportiva
(principalmente nas corridas) e a disposição para se preparar para tal feito.
Existem pessoas com uma genética favorável para atividades de endurance, que
certamente, com estímulos adequados, proporcionam uma rápida evolução, levando
o praticante a boas condições para enfrentar os 42 km. Existem outras pessoas,
que possuem um histórico em outros esportes que exigem de forma extrema a
capacidade cárdio respiratória, como ciclistas e nadadores, obtendo fatores que
podem ser aproveitados, para construir uma periodização efetiva para a
maratona. A determinação e a consciência do preço que será pago na preparação
para a prova, com treinos intensos, desgastantes, que certamente vai mexer com
a rotina de um atleta amador, é um
fator determinante no êxito ou não do indivíduo a concluir os 42 km, onde
muitos querem sentir o prazer de concluir a tão temida maratona, mas poucos
querem se preparar de forma coerente para o desafio. Tudo já citado é apenas o básico para iniciar a discussão desse
assunto, mas o mais sério é quando
um indivíduo, parcialmente sedentário, que nunca praticou atividades físicas,
que não tem a menor condição atual de executar tal feito, resolve embarcar
nesse propósito, sem imaginar que está pulando muitas etapas, alem de correr o
risco de comprometer sua integridade física. Cada um tem seu sonho e objetivo,
metas e desafios, mas é tarefa do profissional
que cuida desse segmento, nesse caso o educador físico, orientar seu aluno, a
melhor e mais indicada distância, preservá-lo e prepará-lo de forma consciente,
para que no momento certo, com a condição necessária, ele possa ingressar nesse
desafio, estruturado, apto para esse teste de resistência. O treinador tem o
papel fundamental de preparar fisicamente e emocionalmente, motivando seus
alunos, a buscarem seus objetivos de superação pessoais, mas orientar a coerência
e o grau de dificuldade de cada desafio é tão importante quanto, mesmo que isso vá contra o que seu aluno queira
ouvir e possa até mesmo perder um aluno...afinal, somos ou não colaboradores
para uma plena qualidade de vida?
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Vilã ou heroína?
Até onde uma pedra no
caminho, passa de um obstáculo que pode lhe derrubar e prejudicar, para um
trampolim de impulso, lhe dando estrutura de sustentabilidade? Como em vários
ditos populares, como "a beleza está nos olhos de quem vê", ou "o
pessimista observa um problema enquanto o otimista observa a solução". Já
para outras pessoas, essa pedra fictícia tornasse tão insignificante que não
causa tantas emoções assim, nem pra mais, nem pra menos, apenas mais um
adereço, nas estradas dessa vida. Nos últimos meses, estou convivendo de
maneira bem próxima com pessoas que possuem diabetes, de variadas faixas
etárias, com perfis diferentes, todas praticantes de corridas. De forma
superficial, o diabetes é um distúrbio no pâncreas, provocando uma ineficiência
na produção de insulina, que é responsável pela passagem da glicose, podendo
ser a diabetes do tipo 1 e 2, onde o pâncreas não produz ou produz pouca
insulina, influenciando diretamente na glicemia. No início da convivência com
essas pessoas, meu conhecimento sobre essa doença era extremamente superficial,
sem ter a mínima consciência de como o portador de diabetes se comporta com
relação as suas necessidades de controle glicêmico e injeção de insulina quando
necessário. Aos poucos, fui percebendo o quanto o diabetes influência o
comportamento dessas pessoas, estando presente quase o tempo todo na rotina dos
mesmos. Pode parecer uma afirmação meio óbvia, levando em consideração que todo
diabético tipo 1, que são aqueles dependentes de injeção de insulina, precisam
verificar com muita freqüência o nível de sua glicemia e perceber se há ou não
a necessidade de aplicar a insulina. Mas essa observação vai alem de tal
controle e toda atenção devida a isso. Com essa convivência, percebi pessoas
que controlam o diabetes de forma tão automática que as vezes até esquecemos
que as mesmas tem o distúrbio, levando uma vida totalmente "normal".
Na mesma intensidade, constatei pessoas que transpiram diabetes, levando-a de
forma intensa em suas vidas, em que quase toda conversa a diabetes está
presente, seja pelo controle ou sintomas, onde quase todo assunto a mesma está
presente. Existem atletas de alta performance diabéticos, que disputam as mais
diversas modalidades, nos principais eventos mundiais. Com isso, podemos
afirmar, que apesar de tudo já citado, o diabético pode levar uma vida como o
não diabético, pode levar seus corpos ao extremo do extremo, como exigido em
muitas modalidades esportivas. Apesar disso, também observo pessoas que usam a
diabetes como uma muleta, usando-a para causar comoção e gerar pena de si
mesmas, uma desculpa para justificar limitações, ou até mesmo motivo para
exaltar seus feitos, destacar superação. A diabetes está tão inserida na vida
de algumas pessoas, que muitas até a usam como profissão, das mais diversas
formas, transformando algo ruim em um "ganha pão", num veículo
profissional, destacando-as nessa fatia da área da saúde. Percebo em algumas
pessoas, até mesmo sinais de satisfação em enfrentar essa situação, vivenciando
atividades como a corrida, misturadas com as pessoas não diabéticas e tendo um
desempenho até melhor que elas. Imagino qual seria a reação dessas pessoas, que
vestem com orgulho a camisa do diabético, se em um determinado momento de suas
vidas, um médico constatasse que as mesmas não tivessem mais tal distúrbio.
Acho que algumas ficariam estremecidas, por perder parte de sua identidade, da
causa que levam com tanta garra e atenção, onde muitas se unem, dando força uma
para outra, na busca por uma vida plena. Com certeza, não sei expressar o que
se passa na cabeça e no coração das pessoas que possuem o diabetes,
principalmente aqueles que estão no início de sua luta, vivenciando o princípio
da rotina de controle e procedimentos, os sentimentos que isso pode gerar,
influenciar na auto estima, mexer com o dia a dia. Uma coisa é certa, são
grandes guerreiros, capazes de enfrentar qualquer desafio, de qualquer grau de
dificuldade, independente se o pâncreas produz ou não insulina, suas
determinações e cuidados os levam ao topo de qualquer colina existente.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
Ponto Final
Quão difícil e
doloroso deve ser um atleta, de qualquer esporte, saber que nunca mais participará da competição que mais gosta, não fará mais
parte da festa que envolve cada evento esportivo, não ao menos como atleta.
Confesso que me emocionei ao ver Gustavo Kuerten, em sua última participação em
Roland Garros, ao ser eliminado, já tendo declarado que se aposentaria do
circuito profissional de tênis, despedindo-se daquelas quadras que trouxeram
tantas alegrias há um dos maiores tenistas brasileiros. Certamente ele sabia
que estaria muitas vezes, como convidado da organização, participando do
evento, mas não mais como atleta, dando seu máximo naquele saibro, independente
do tamanho de sua chance de ser campeão. O quanto isso deve lhe ter entristecido,
confundindo o seu ser, na reorganização de sua identidade. Outra cena que não sai
da minha memória foi a despedida de Oscar Schmidt da seleção brasileira de basquete,
nos jogos olímpicos de Atlanta de 1996. A camisa verde e amarela era
praticamente a segunda pele dele, sendo considerado por muitos o melhor jogador
brasileiro de basquete de todos os tempos. Ainda dentro de quadra, Oscar deu
uma emocionante entrevista a uma emissora de televisão, descrevendo com muitas lágrimas
o que sentia, o quanto difícil seria pra ele não estar mais presente no cenário
que ele amava e fazer parte daquela festa. Esse tipo de dor acaba sendo bem
dissipada pelos atletas de alta performance de corridas de rua. É muito comum
vermos ex corredores de elite, participando de provas que o consagraram no auge,
mesmo que apenas pra participar da prova, buscando saúde, qualidade de vida, ou
entrar na máquina do tempo e sentir a sensação de levar seu corpo ao máximo do
esforço físico, o vento batendo contra o rosto, travando uma batalha incessante
contra o cronômetro e cruzar o pórtico de chegada, aquele mesmo que anos antes
cruzara em primeiro lugar, mas agora em outra realidade, o objetivo torna-se
fazer o seu máximo, sem se preocupar em qual posição possa ter chegado. Por várias
vezes, vi o lendário José João, bi campeão da São Silvestre, muitos anos após
seu período de conquistas, lutando consigo mesmo, brigando por segundos, para
fazer um tempo muito mais alto que seu recorde pessoal, mas tão importante
quanto, numa grande amostra de espírito esportivo, mostrando que fazer seu máximo
faz parte de seu DNA, independente da posição que chega. Sem falar na brilhante
corredora e admirável pessoa, Maria Zeferina Baldaia, que mesmo ainda estando
em excelente preparo físico, ainda brigando por vitórias em corridas pelo
Brasil, está distante do preparo físico do seu auge, que lhe renderam
conquistas em provas tradicionalíssimas, botando seu nome na história do
pedestrianismo brasileiro. Será que outros atletas, de outros esportes,
permaneceriam ativos, mesmo não estando em seu ápice, não tendo condições de alcançar
suas melhores marcas e feitos? E daqui uns 20 anos, será que Maria Zeferina
ainda estará participando de São Silvestre, Maratona de São Paulo e afins, provas
em que esteve no lugar mais alto do podium? Pessoas comuns terão a oportunidade
de correr ao lado dela, e até chegar na frente. Isso proporciona um algo a mais
para a corrida de rua. Bem que eu gostaria de jogar uma partida de tênis com
Roger Federer, mesmo que não fosse um jogo oficial, numa simples partida
amistosa. Está certo que isso seria mais difícil do que parece, pois nem ao
menos sei jogar tênis, nunca sequer portei uma raquete. Não deixa de ser um
sonho. Assim, podemos dizer que nós, corredores de rua amadores, somos privilegiados,
por estarmos participando da mesma prova daqueles atletas que admiramos, mesmo
que muito distantes durante a corrida, podendo até mesmo estar correndo ao lado
de um multi campeão do passado, nos proporcionando muitas histórias pra contar.
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Arquitetos do esporte
Desenvolver um projeto de um prédio, do mais simples até o mais complexo e luxuoso, certamente é um difícil trabalho, exigindo um grau elevado de conhecimento, atenção e muita estratégia, afim de proporcionar o máximo de excelência no projeto, com total segurança, para que tudo funcione corretamente e acima de tudo, que "a casa não caia". Por esse e outros motivos, profissionais desse segmento são tão valorizados, cobrando caro por seus serviços, com suas agendas normalmente lotadas, profissionais que serão responsáveis pelo desenvolvimento do funcionamento de um grande bem em nossas vidas, que é a nossa casa. E treinar uma pessoa para uma corrida de rua, é tarefa mais fácil que essa? Desenvolver uma periodização equilibrada e eficiente, objetivando dar o máximo de condições para que seu aluno conclua, de forma saudável e dentro de suas expectativas, aquele sonho de correr uma maratona, seria algo de menor complexidade? Pode ser que se essas perguntas forem feitas para um engenheiro ou um arquiteto, as respostas sejam positivas, valorizando e elitizando suas ações profissionais, mas se a mesma for feita para aqueles que perdem horas e horas de seu dia, buscando saídas para aplicar os estímulos mais indicados, nos momentos certos, encaixando em rotinas profissionais insanas uma solução para uma preparação física ideal, a resposta com certeza será diferente. O treinador esportivo, por muitas vezes, passa de um simples educador físico para um estrategista, que buscará maneiras de estimular seus alunos, que diferentemente dos atletas profissionais, não possuem o tempo necessário para treino e principalmente para descanso. Por menor que seja as pretensões de um aluno, ele sempre tem em sua mente um objetivo pessoal, motivo esse que o fez procurar por um profissional capacitado, para lhe auxiliar chegar em seu sonho, com o máximo de saúde possível. Daí forma-se o desafio para o treinador, em criar uma periodização de treinamento, com o máximo de eficiência possível, analisando toda rotina de um atleta amador, que muitas vezes trabalha mais de 13 horas diárias, se alimenta inadequadamente, tem uma vida social agitadissima, quer uma evolução rápida, de preferência com premiações nas corridas e acima de tudo, com muita saúde. Essa situação já seria muito delicada em corridas consideradas curtas, normalmente nos 5 e 10 km, provas mais convencionais, que acontecem em quase todos os fins de semana, nas mais diversas cidades, por todo mundo. Agora, quando essa "sinuca de bico" encontra-se nas provas mais longas, entre maratonas e ultramaratonas, esse quebra cabeça fica interessante de se ver. Levando em consideração o aspecto já citado acima, que refere-se ao dia a dia do corredor amador, temos uma situação que inflama um pouco mais a missão do valente treinador, em montar o treinamento de seu aluno, o calendário de provas. Normalmente, o aluno destaca ao seu treinador uma prova alvo, seu objetivo principal a ser alcançado. Suponhamos que tal aluno fictício queira fazer uma ultramaratonas de 50 km, daqui a 4 meses, tempo suficiente para um atleta com uma certa experiência, que esteja já ativo. Tudo isso seria muito simples se esse mesmo aluno não tivesse aproximadamente de 6 a 8 provas superiores a uma maratona (42 km) nessas 16 semanas de treinamento para o desafio principal, de 50 km.É nessa hora que o treinador usa todo seu conhecimento e experiência, para tornar a rotina de treinos mais segura possível, usando todo seu repertório de treinos, buscando ritmos coerentes para estímulos adequados, tomando todo cuidado para seu atleta não se machucar e por fim em seu grande objetivo dos 50 km. Vale destacar que muitas maratonas e ultramaratonas, em sua grande maioria, são realizadas em belos lugares, pontos turísticos, que proporcionam ao atleta e sua família bons momentos de lazer e divertimento, unindo o útil ao agradável. Isso ameniza um pouco a pressão em cima do treinador, onde muitos corredores não se importam muito com suas performances e mesmo seus treinos são relativamente tranqüilos, não exigindo o máximo de seus corpos. Mas existem aqueles que alem de passear e se divertirem, vão dar seu máximo, em todas as provas que participarem, deixando bem divertida a tarefa do nosso genial treinador, pois fazer com que seu aluno chegue ao seu objetivo é sua tarefa, da forma mais saudável possível. Parabenizo esses arquitetos do esporte, pelo excelente trabalho que vem fazendo!
Assinar:
Postagens (Atom)