segunda-feira, 6 de maio de 2024

Barkley Marathon 2024, eu estive lá !!! por Pedro Luiz Cianfarani – Parte II Preparação


Nesta parte quero mostrar um pouco do meu preparo e por se tratar de uma prova que pouca coisa sabemos acaba dificultando o preparo, mas junto com meu irmão Beto Cianfarani procuramos traçar a melhor estratégia e claro que coube a ele preparar minha musculatura com uma série específica para suportar a incrível altimetria que iria enfrentar, bem como minhas rodagens durante a semana que por sinal estava bem preenchida com folga apenas na sexta feira e embora tinha uma ideia que seria chamado intensifiquei mesmo os treinos nos 4 meses que antecederam a prova.

Como a prova ocorre em um parque sem marcação, estrada ou trilha precisei da ajuda do mestre em trail no Brasil, o André Lima que me ensinou o básico até porque não daria tempo de me tornar um especialista no assunto, mas com a ajuda da turma dos Guerreiros Trail consegui uma boa base para enfrentar o Frozen Head State Park e pude conhecer muitas trilhas por São Paulo que nunca imaginava.

Na parte nutricional quem me acompanha é o Reinaldo Tubarão Bassit (não precisa de apresentação) e fizemos alguns ajustes que antecederam a prova bem como o tão aguardado dia afim de chegar mais leve e mais forte para enfrentar as montanhas do Tennessee e confesso que não foi nada fácil, mas o que foi fácil nesta prova? 

E não é que teve algo fácil na preparação !!! rsrsrs  , os profissionais que me ajudaram a suportar toda esta maratona de treino. Na massoterapia ficou por conta do Élcio Alexandre que conseguia trazer de volta minha musculatura depois de eu maltrata-la. Para trazer o equilíbrio do corpo o grande amigo Dicler fez sua magia com suas agulhas na acupuntura e com certeza afirmo ser fundamental para o preparo.

Como falei anteriormente por não possuir marcação para se localizar sendo necessário se orientar por bússola e não ter nenhuma noção a respeito precisei estudar e estudar muito, a princípio me assustei mas hoje com a internet as coisas ficam mais fáceis, acabei buscando muitas aulas por vídeo e apostilas e para me ajudar com as dúvidas contei com os amigos Robson Saes e Anselmo Anjos me ajudando assim colocar a teoria na prática.

Durante minhas rodagens semanais sempre contei com os Ultraloucos que nunca deixaram os treinos caírem na rotina deixando nossas rodagens sempre divertidas e preciso falar de uma pessoa em especial
minha companheira Claudia que sempre esteve ao meu lado me apoiando e incentivando onde muitas vezes com tanto treino só nos víamos para dormir.


Assim foi um pouco da minha preparação onde cheguei a falar que nesta competição tudo iria tentar te tirar da prova pela sua dificuldade onde pouco mais de 1% dos atletas TERMINARAM a prova, assim a única coisa não usaria como justificativa é que não me preparei para prova.

Agora sim vem a parte mais divertida, como foi a corrida .... Mas isso fica para próxima parte.

Aguardem .....

Treinador – Beto Cianfarani - instagram.com/beto_cianfarani/

Trail – Andre Lima - instagram.com/andrelimatrilhas/

Guerreiros trail - instagram.com/guerreirostrail/

Nutricionista – Reinaldo Tubarão - instagram.com/reinaldotubarao.phd/

Massoterapeuta – Élcio Alexandre - instagram.com/elcioalexandreda/

Acupuntura – Dicler Agostinetti - instagram.com/dicleragostinetti/

Robson Saes  - instagram.com/robsonsaes/

Anselmo Anjos - instagram.com/anselmoanjos/

 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Barkley Marathon 2024, eu estive lá !!! Por Pedro Luiz Cianfarani - Parte I Condolências

 

Depois de 6 anos desvendando os segredos para entrar na mais icônica das corridas finalmente recebo a tão aguardada carta de” condolências”, sim esta e a forma que somos convidados a participar da Barkley Marathon, me tornando o 2º brasileiro a receber este convite, segue trecho da carta “saudações; Eu lutei e lutei para descobrir a melhor forma de dar essa notícia a você. Procurei em minha alma alguma maneira de suavizar o golpe por alguma maneira de aliviar a sensação de desgraça e mau pressentimento isso certamente irá se instalar em sua mente como uma névoa densa e congelada. Por alguma maneira de evitar o frio glacial que permeará seu coração como uma chuva gelada e congelada...mas não há realmente nada a fazer a não ser expor:

É meu lamentável dever informá-lo que você foi selecionado para correr nas maratonas Barkley de 2024...

Deixa falar um pouco de como é esta corrida que foi inspirada depois que o detento James Earl Ray preso pelo assassinato de Martin Luther King e estava cumprindo pena na Penitenciaria Estadual de Brusky Montain – Tennessee, conseguiu escapar e em 56 horas foragido não conseguiu sair mais que 13 km do presidio, assim em 1986 diante deste fato um grupo de corredores começaram a criar a Barkley Marathon e por muitos anos não houve concluintes, até que alguém conseguiu finalizar mostrando ser possível sua finalização, claro que em todos estes anos muita coisa mudou sempre para deixa-la mais difícil, uma prova disso é que em todos estes anos apenas 20 atletas conseguiram concluir.

A dificuldade começa para conseguir ser convocado, pois não possui um site para obter qualquer informação e para conseguir a convocação é um verdadeiro jogo de investigação, antes mesmo de receber a carta de “condolências” recebemos um convite para entrarmos em um grupo de Facebook privado onde receberemos informações e o grupo tem uma regra muito simples sigilo total.

Se conseguir passar por esta fase de convite se prepare que irá participar de uma das corridas mais difíceis que existe onde tudo é feito para que você não a complete, o caminho não é demarcado precisamos nos orientar por bússola por um circuito de 30 a 40 km cada volta num total de 5 voltas e cada volta é num sentido, ou seja 1ª volta sentido horário, 2ª volta sentido anti-horário e assim por diante.

Para provar que passamos pelo caminho correto alguns livros são escondidos, onde devemos encontra-los e destacar a página correspondente ao nosso número de peito, este ano tivemos que encontrar 15 livros pelo caminho. Quem conseguir completar a volta ou Loop vai entregar seu número de peito junto das 15 páginas e depois de conferido você recebe um novo número de peito e pode abrir uma nova volta.

Não podemos usar qualquer tipo de GPS apenas mapa e bússola, o caminho só saberemos algumas horas antes da largada quando é fixado um mapa em uma mesa após entregarmos 1,60 dólares, uma placa de carro do meu país e um presente para o organizador que este ano foi um par de meias de lã.

Também não sabemos qual a hora da largada apenas somos informados o dia, assim devemos ficar acampados no Park e aguardar o toque de uma concha e após este toque teremos 1 hora para nos preparar para a largada, mas antes retirar o relógio fornecido pela organização para garantir que ninguém utilize GPS e quando icônico Lazarus Lake acender seu cigarro a corrida começa com seus mais de 3000 m de altimetria acumulada por volta e 16000 m nas 5 voltas, equivalente a subir 2x o Evereste.

Nesta parte procurei falar um pouco sobre a prova por ser muito diferente das que estamos acostumados a ver e se apenas começas a falar da preparação e como foi minha participação muitos não iriam entender, então aguardem as próximas partes deste desafio que com certeza ficou marcada na minha vida.  

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Um segundo semestre bem corrido – Por Pedro Luiz Cianfarani

Até parece brincadeira, mas tirando os 235 km da UAI em julho minhas provas neste segundo semestre ficou concentrada em apenas 20 dias, 100 km UTM em 14/10, Backyard/ 100 km Bolívia 27/10 e 12 horas de pista da Fênix em 04/11.

De início havia decidido não fazer a UTM por não concordar com o alto custo de hospedagem em Campos do Jordão me programando apenas para fazer as 12 horas da Fênix em São Bernardo e matar a saudade de rodar em uma pista, afinal seria na minha cidade.

As coisas começaram a mudar quando o amigo Gecier tentou me convencer a ir para UTM e já que ele iria no mesmo dia da largada para Campos do Jordão eliminando assim o valor absurdo da hospedagem .... Não precisou muito para eu mudar de ideia rsrs e agora teria 20 dias entre uma prova e outra.

Quem pensa que meu planejamento estava finalizado se enganou e precisei encaixar mais uma prova entre estes 20 dias quando meu amigo e organizador da Backyard na Bolívia me intimou a participar da prova que iria organizar (claro que não intimou, mas eu precisava para me convencer rsrsrs) e assim ficaram 3 competições em 20 dias.

Começando pelos 100 km da UTM que era para ser uma prova bem tranquila, mas ganhou um toque de emoção quando meu tênis que estava muito tempo guardado, após a metade da prova descolou o solado todo fazendo terminar a prova quase descalço, mas isso não impediu o prazer em completar mais um desafio. Inclusive um amigo vendo minha chegada sempre alegre e vibrando me perguntou como estava alegre e vibrante chegando quase sem tênis e com os pés bem dolorido, apenas respondi:

- Tinha 2 opções, chegar me lamentando e reclamando do ocorrido, culpando meu tempo acima do esperado por este problema ou enaltecer ainda mais minha prova concluída .... Claro que escolhi a 2ª opção.

Sem muito descanso e treino fui para Bolívia e desta vez, diferente de quando fui em 2019, cheguei com pouco tempo para me aclimatar com a altitude que foi cruel me derrotando fazendo sair da
competição prematuramente apenas na 4ª volta e confesso ter ficado muito chateado, mas não havia notado um detalhe do regulamento que poderia competir em qualquer uma das 4 provas que estavam sendo realizadas simultaneamente, Backyard, 100 km, 100 milhas e 24 horas.

Sem perder mais tempo, pois havia perdido muito por não saber deste detalhe, sai para os 100 km computando minhas voltas da Backyard e agora correria do meu jeito sem me preocupar com as regras da Backyard podendo controlar os efeitos da altitude. Para minha surpresa durante o jantar de premiação descubro que havia conquistado a 3ª colocação e claro que esta viagem irá ganhar um relato com todos os detalhes.

Retornando ao Brasil nem consegui treinar, apenas descansei os 5 dias que antecederia as 12 horas da Fênix que foi marcada pelo caos que estava a cidade devido à forte chuva do dia anterior e de forma heroica o organizador de primeira viagem nos entregou uma boa prova.

Na prova de início pensei em apenas caminhar na pista para ficar com meus amigos Ultraloucos que compareceu em peso, mas no decorrer da prova a musculatura foi se soltando e consegui ditar um ritmo até que bom e confortável para evitar alguma lesão conseguindo ainda rodar 87 km e ficando satisfeito.

Sempre agradeço a todos que sempre me apoiam e me incentivam em meus desafios.

Meu muito obrigado

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

UAI - Ultramaratona 235 km - julho de 2023 por Pedro Luiz Cianfarani

 Depois de muitos anos fazendo provas acima de 200 km, decidi começar a fazer provas novas e finalizar algumas das principais no Brasil e resolvi começar pelos 235 km da UAI que aconteceu em 7 de julho de 2023 e como falei na postagem anterior vim de uma sequência de provas bem pesada coisa que não gosto de fazer, mas infelizmente aconteceu e procurei fazer de forma de não sobrecarregar o corpo.

Formei minha equipe tradicional com minha companheira Claudia e meu treinador e irmão Beto que já me acompanham em muitos de meus desafios.

Assim em uma manhã de sexta-feira, muito fria, demos a largada saindo de Passa Quatro, primeiro PC seria em Itamonte e sem sair do meu estilo percorri os 20 km de forma bem conservadora e sem apoio que só poderia me acompanhar a partir de Itamonte.

Próximo trecho seria até Alagoa com o primeiro grande desafio da prova, uma subida constante por uma rodovia até chegar na entrada do Garrafão ¹ e neste trecho sempre acompanhado de perto pelo meu apoio, e passando o Garrafão segui sozinho em mais um trecho sem apoio vindo a encontra-los pouco antes de Alagoa onde chegamos no próximo PC com 65 km e uma ótima estrutura. 

Abastecido parti para Aiuruoca em um trecho de 30 km e com a noite e temperatura caindo muito e procurei manter meu ritmo sempre constante e acumulando kms até vencer mais uma etapa até Aiuruoca acumulando assim 95 km e cada vez mais frio. Para imaginar como estava frio pedi uma sopa para Claudia para tomar antes de seguir rumo ao Papagaio, e para minha surpresa quando encontrei minha equipe a Claudia me falou que não conseguiu preparar a sopa porque o fogareiro não conseguiu esquentar o suficiente. Será que estava frio?

Mas a estrutura da prova estava impecável e o PC sempre bem servido, então pude contar com uma sopa quentinha  para esquentar o corpo e seguir no trecho considerado o mais desafiador. E agora abastecido e bem aquecido com roupas apropriada segui rumo a pousada da família Garcia no ponto mais alto da prova, na Serra do Papagaio. Chegando na pousada que é um PC procurei não parar muito apenas dei o nome me abasteci de agua e segui caminho para não sentir a mudança de temperatura aconchegante dentro da pousada.

Agora enfrentaria o pior trecho, uma longa descida com muito buraco e pedras soltas, um prato cheio para uma lesão. Tive 3 quedas e uma delas bem feia onde pensei ter lesionado o joelho ou melhor o que sobrou dele rsrsrs .... Neste trecho realmente perdi muito tempo descendo com muito cuidado para evitar mais tombos e quase no raiar do dia chego no próximo PC no Gamarra com 135 km.

Tomei um café reforçado e parti para os últimos 100 km e agora com uma temperatura mais agradável onde o frio havia dado uma trégua e voltando ao meu ritmo conservador e constante sigo em frente passando por Baependi e chegando até Caxambu no próximo PC e neste trecho pude contar com a companhia ao meu lado hora da Claudia, hora do Beto, neste PC apenas me identifiquei e segui para São Lourenço e aliviado por saber que começaria nos 50 km finais. 

Nesta hora precisei reforçar as bandagens do pé para não ter surpresa com as bolhas e me sentindo muito bem coloquei um ritmo forte e constante aproveitando um longo trecho plano e pensando em apenas finalizar a prova, nesta hora chega a 2ª noite e o último PC no Bar do Zé Maria.

Com a vontade de terminar crescendo por saber que só restaria 30 km para finalizar, mas sabia que ainda enfrentaria meu último desafio, uma serra de 11 km e chegando ao pé da serra a Claudia que bravamente havia me acompanhado entrou no carro dando lugar para meu irmão Beto me auxiliar no ritmo e como sempre gosto de fazer ao final de qualquer desafio aumento meu ritmo subindo os 11 km sempre correndo , quando a Claudia parava o carro no meio da serra perguntando se precisava de alguma coisa e sempre respondia que só iria comer ou beber algo quando finalizasse a subida e apenas gostaria de terminar.

Terminando a subida restava apenas os últimos 12 km sendo 4 km de descida até a cidade e nesta hora com a 2ª noite começa as alucinações ² onde tinha a nítida impressão que havia atletas chegando, todos sabem que não me preocupo com colocações, mas no final dos 235 km queria manter esta minha colocação e procurei manter meu ritmo até o final finalizando em pouco mais de 40 horas, 3º colocado e muito feliz e sensação de missão cumprida.

1 – Pouco antes de chegar na entrada do garrafão um caminhão de leite encosta ao meu lado e pede para tomar cuidado com os javalis que como haviam alguns com cria ficavam agressivos chegando a atacarem até os carros quando passavam pela rodovia rsrsrs.

2 - Ainda sobre a impressão de atleta chegando quando comecei a ver luzes chegando meu irmão confirmou que não havia ninguém chegando e não me falou nada porque viu que eu estava bem motivado rsrsrs.

Sem palavras para agradecer minha equipe e sempre falo que o sucesso do desafio são de todos.

Obrigado minha amada Claudia e meu irmão e parceiro Beto

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Fechando o primeiro semestre - por Pedro Luiz Cianfarani

 Sempre falo que a Br 135 apesar de ser realizada em janeiro a considero o encerramento do calendário de corridas, assim este ano coloquei como prova alvo a UAI 235 km realizada em julho e neste primeiro semestre saíram muitos treinos e algumas provas pelo caminho.

Entre as provas comecei quase no susto com a Maratona de SP quando uma grande amiga que veio me visitar faria a prova e não pude resistir e lembrando os velhos tempos no dia 02 de abril completei a Maratona de SP sem aquela obrigação de tempo baixo e mesmo assim completei em 4 horas e 30 min.


No final de abril, dia 29, consegui levar vários Ultraloucos para Itupeva para participar da Backyard ou como é chamada popularmente Resta 1 e quando tudo parecia definido recebo um convite da Ultra Runner Eventos para uma prova piloto, UTM Ultramaratona Transmantiqueira 100 km no dia 06 de maio e precisava definir junto do Beto uma nova programação já que seria apenas uma semana após a Backyard e foi definido direcionar atenção nos 100 km da UTM. Assim completei apenas 8 voltas, 56 km em Itupeva e na semana seguinte os 100 km em 15 horas e 30 min.

Imaginava agora focar na UAI…. Mas recebo um convite do amigo e organizador de corridas Zobaran para uma prova piloto, Five5Attacks no dia 12 de maio, logo de início repassei o convite para meu irmão Beto que me convenceu em participar também afim de conhecer a prova, assim os irmãos Cianfarani foram conhecer este novo formato de prova. Eu subi 2 dos 3 ataques e meu irmão ganhou a prova ganhando os 3 ataques e cravando o melhor tempo.

Agora sim foco total para os 235 km da UAI e foram muitos treinos , rodagens e fortalecimento e no dia 07 de julho carimbei mais uma grande prova em meu currículo finalizando em pouco mais de 40 horas e 3º colocado com apoio, mas este relato precisa ganhar um capitulo a parte, aguardem

sábado, 21 de janeiro de 2023

Dupla Cianfarani na BR135


 

O ano de 2023 começou em grande estilo pra família Cianfarani. Fugindo do habitual, meu irmão Pedro Cianfarani e eu (Beto Cianfarani) decidimos enfrentar os 217 km da BR135 juntos, na categoria dupla. Pedro, nos últimos anos, vem se dedicando a enfrentar desafios longos e ritmados, normalmente superiores à 200 km, onde seu treinamento, de maneira geral, o prepara para tais provas longas e estratégicas. Já esse que vos escreve, vem se dedicando a treinos curtos e intensos, bem longe do ambiente competitivo, usando a corrida mais como um instrumento para a estética e saúde, mas dando condições de enfrentar com qualidade as mais diversas provas. Pedro já concluiu a BR muitas vezes, em sua maioria solo. Essa seria minha quinta participação no evento, a segunda em revezamento. Dentro de nossas rotinas, profissionais e pessoais, nos dedicamos a um bom treinamento, equilibrado e prudente, na expectativa de adquirir as melhores condições para fazer uma boa prova. Desde a decisão de nossa participação, decidimos que curtiríamos o percurso, levando a sério a estratégia, mas sem deixar de curtir o visual do percurso. Fizemos rodagens longas, treinos Intervalados, treinos em percurso montanhoso, tudo na expectativa de obter boas condições de enfrentar o tão difícil percurso da BR135. Pedro ainda usou os 100 km da UAI Reverse como treino, tudo pensando em chegar em bom estado pra prova. O clima e as condições das estradas de terra nos preocupavam muito, pois chovia a várias semanas na região da prova, circunstâncias que poderiam dificultar ainda mais uma prova que com certeza já seria muito dura. Quem cuidaria do nosso apoio seria minha cunhada Claudia, esposa do Pedro, responsável por dirigir, ajudar na alimentação e logística, ou seja, tarefa bem difícil para realizar sozinha.  Após toda tensão normal antes da largada,  fui responsável por abrir o revezamento, objetivando imprimir um ritmo intenso no início e pegar as estradas de terra em melhores condições, antes que toda multidão de carros passassem. Tinha certeza que seria uma prova cansativa, como sempre, mas arriscamos um ritmo intenso nos primeiros 100 km. Pegamos muita lama até chegar a cidade de Andradas, com um pouco menos de 60 km, mas aos poucos o percurso foi melhorando, não sendo atrapalhado pelas condições das estradas. Por volta do km 70, tive que contornar alguns problemas gastro intestinais, além de uma queda de pressão, situação que aumentou a tensão em nossa equipe. Nesse momento, Pedro bravamente segurou a pressão, ajudando na manutenção do nosso ritmo. Alguns quilômetros depois, me reestabeleci e voltamos para o jogo. Enfrentamos bem a madrugada, revezando entre 2 a 3 km cada, se mantendo bem até Borda da Mata, no km 140. A partir daí, o desgaste bateu e o sofrimento e as dores muscular foram nossos companheiros. Até a cidade de Estiva, próximo ao km 180, estávamos em primeiro lugar entre as duplas. Fomos ultrapassados na entrada do centro de Estiva, perseguindo assim a dupla que estava em nossa frente. Nos esforçamos muito, tirando de nossos corpos tudo que tínhamos, mas estava bem difícil recuperar a primeira posição, ocupada naquele momento por uma excelente dupla de Brasília. Nos últimos 18 km, o carro de apoio não estava passando, deixando a tarefa de enfrentar esse último trecho para o Pedro, que naquele momento é quem estava em melhores condições na dupla. Ele pegou muita chuva e muita lama, conseguindo imprimir um forte ritmo, na intenção de recuperar a primeira colocação entre as duplas. Não foi possível, perdendo ainda nos quilômetros finais a segunda colocação, finalizando a prova em terceiro lugar entre as duplas, com 30 horas e 23 minutos de prova. Foi maravilhoso ter enfrentado esse percurso insano ao lado do meu irmão, dividindo todas as dificuldades, buscando tirar forças daquilo que já estava cansado. Sensação de dever cumprido, onde Claudia conseguiu bravamente nos ajudar sozinha e Pedro e eu dar nosso máximo e concluir mais uma vez a BR135!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

UAI 65 km e UAI Reverse 100 km – 09/06/2022 – 10/12/2022

 

Aproveitando as distâncias menores da UAI como treinamento e é claro rever amigos este ano participei da UAI nos dois sentidos, 65 km em 09/06 e 100 km no dia 10/12 na Reverse em seu sentido inverso.

Os 65 km no sentido normal e bem tradicional no mundo das ultras não é nada fácil já que logo no início enfrentamos a serra de Itamonte até o Garrafão terminando em Alagoa MG, ótimo treino e sempre desafiador.

Já no último dia 10/12 enfrentei os 100 km da UAI reverse, ou seja sentido contrário do circuito, apesar de uma menor altimetria a dificuldade foi devido ao forte calor tirando muitos atletas da prova. Já que fui para distância como treino procurei terminar com prudência.

Independente da distância sempre procuro respeitar e encarar o desafio com seriedade e garra. Que veja agora a BR 135 que farei no dia 12/01/2023em dupla com meu grande parceiro e irmão Beto Cianfarani.