sexta-feira, 21 de agosto de 2026

UAI Ultra dos Anjos - 24/07/2026 - Uma brincadeira que virou uma grande história

Bom, vamos falar da UAI Ultra dos Anjos.

Na verdade, a história desse quarteto começou alguns meses antes, quando fizemos a Brasil 135, em janeiro. A princípio, a ideia era repetir o mesmo quarteto: eu, o Morelli, o Latansa e o Vinícius.

Já estava tudo certo. O quarteto estava montado, a prova estava marcada, a gente já tinha combinado tudo.

Só que tivemos uma baixa. E, nesse caso, foi por um motivo muito nobre.

O capitão Vinícius foi convocado para ajudar no resgate das vítimas do terremoto na Venezuela. Então, de última hora, ele precisou abrir mão da prova.

Mas, por uma dessas coincidências boas da vida, a solução já estava praticamente dentro da equipe.

O Emerson, meu companheiro de treino, seria um dos nossos apoios. Então o próprio Vinícius falou:

“Eu estou saindo. Coloca o Emerson no meu lugar. Ele também corre, já vai estar lá e não precisa mudar praticamente nada. ”

E foi assim mesmo. Sem muita conversa, sem precisar procurar ninguém. O Emerson saiu da condição de apoio e entrou para o quarteto.

Então ficou formado o nosso time: eu e meu companheiro de treino, Emerson, junto com os dois



bombeiros, João Morelli e Richard Latansa.

E aí fomos para Passa Quatro - MG.

Nós chegamos alguns dias antes porque já tínhamos combinado com a organização de participar também de um outro desafio. Na UAI existe a modalidade Double, em que o atleta faz duas vezes os 235 quilômetros, totalizando 470.

Havia quatro atletas fazendo essa modalidade, e eu, o Morelli e o Latansa fomos fiscais, junto com mais um fiscal disponibilizado pela organização.

Chegamos lá na terça-feira, dia 21 de julho, e já começamos essa primeira missão.

No sorteio dos atletas, eu acabei ficando como fiscal do meu amigo Henrique Lobo. Então, de certa forma, ficou até mais fácil, porque nós já nos conhecíamos.

E o Henrique fez uma baita primeira volta, inclusive o melhor tempo dessa primeira volta, e terminou a segunda também muito bem.

Mas a nossa grande missão seria mesmo o quarteto.

E aí veio a nossa filosofia:

“Já que nós vamos em quarteto, vamos fazer direito. ”


A gente poderia simplesmente ir para lá, curtir o caminho, conversar, brincar e completar os 235 quilômetros. Mas pensamos: já que estamos em quatro, vamos fazer uma prova de qualidade.

Cada um tinha que explorar o seu ponto forte.

Quem era melhor nas subidas? Quem gostava mais das descidas? Quem segurava melhor no plano? E quem seria o curinga?

Fomos montando a estratégia e, no dia 24 de julho, às oito horas da manhã, foi dada a largada.

E o primeiro trecho tinha uma particularidade: até Itamonte - MG, o atleta precisava correr sozinho. A equipe de apoio só podia começar a atuar dali para frente.

Então eu fui o escolhido para fazer os primeiros 20 e poucos quilômetros, de Passa Quatro até Itamonte.

E logo de cara veio um dos grandes desafios daquela edição da UAI.

Normalmente, a gente já espera muito frio nessa prova, porque estamos falando de pleno inverno. Só
que dessa vez, além do frio, tivemos muita, muita chuva.

Choveu durante boa parte do primeiro dia. Uma chuva forte mesmo.

E isso complicava bastante a vida de quem estava correndo e também de quem estava fazendo apoio. Porque, no nosso caso, nós tínhamos um detalhe importante: éramos apenas os quatro.

Não tínhamos uma equipe de apoio.

Nós éramos atleta e apoio ao mesmo tempo.

Então, quando chegava a hora da troca, um tinha que ajudar o outro, pegar equipamento, buscar alguma coisa, trocar roupa… e tudo isso debaixo de chuva.

O corpo ficava molhado, você entrava no carro, saía do carro, tentava trocar de roupa, e às vezes era quase impossível ficar toda hora se trocando.

Eu mesmo terminei a prova com a voz meio rouca por causa do frio que passei.

Depois de Itamonte, finalmente começamos os revezamentos.

A estratégia inicial era eu ficar algumas trocas esperando, para recuperar a musculatura, recuperar o fôlego e depois voltar.

Só que fiz isso umas duas vezes e pensei:

“Não vou ficar aqui parado passando frio, não. ”

E voltei para a pista.

A partir dali, fomos fazendo um ritmo muito forte.

E aí veio a nossa brincadeira.

Falamos:

“Vamos tentar chegar na frente de todo mundo. ”

Não importava se o outro estava correndo solo, em dupla ou em quarteto. A ideia era fazer um ritmo mais forte do que tínhamos imaginado inicialmente.

Tanto que, em alguns Posto de Controle, nós chegávamos tão cedo que a organização ainda estava terminando de montar o PC.

Quando chegamos em Alagoa, já estávamos praticamente em segundo lugar.

Na nossa frente estava apenas o Jandosa, que fazia a prova solo e liderava com bastante vantagem.

Seguimos fazendo boas trocas até chegar em Aiuruoca.

E aí veio outro momento diferente da estratégia.

Na região da Serra do Papagaio, o atleta precisava fazer um trecho sozinho, porque era uma área onde o carro não podia entrar.

Quem assumiu esse trecho foi o Morelli.

Enquanto ele fazia a travessia, nós demos a volta até o outro lado, na região da Espraiada do Gamarra, para encontrá-lo.

Depois ainda conseguimos avançar um pouco pela estrada para ficar mais próximos.

Quando o Morelli entrou no carro, ele precisava descansar. Afinal, tinha corrido durante a madrugada.

Nesse momento, o Emerson se prontificou a dirigir, e eu e o Latansa fizemos um trecho de aproximadamente 26 a 30 quilômetros praticamente revezando entre nós dois.

Depois disso, voltamos a fazer as trocas com os quatro.

E foi justamente enquanto esperávamos o Morelli que aconteceu uma situação que marcou muito a nossa prova.

O Jandosa, que estava liderando, passou por nós.

Só que ele tinha acabado de cair.

A mão estava muito inchada e os dedos estavam bastante machucados. Mais tarde, ele contou que provavelmente tinha fraturado alguns deles.

E mesmo assim ele continuou.

Ele seguiu praticamente até a última cidade, São Lourenço, carregando aquela lesão.

Só abandonou quando faltavam cerca de 50 quilômetros para a chegada.

Nós encontramos com ele no PC de São Lourenço e até falamos:

“A gente estava pensando em chegar em você…, mas não dessa forma. A gente queria chegar correndo e não você abandonando por lesão na mão. ”

E assim fomos seguindo até o final.

Depois de toda aquela chuva, frio, troca de roupa, revezamento, improviso, estratégia e muita brincadeira, conseguimos alcançar o nosso objetivo.

Terminamos os 235 quilômetros em pouco mais de 29 horas.

Exatamente 29 horas e 14 minutos.

Fomos os primeiros entre os participantes dos 235 quilômetros a chegar.

É claro que cada modalidade tem sua característica. Tinha gente correndo solo, tinha dupla, tinha outros quartetos. Mas, para nós, o resultado tinha um significado especial.

Porque a brincadeira que colocamos na cabeça lá no começo deu certo.

Nós fomos para lá para nos divertir, mas também decidimos que, já que estávamos em quatro, iríamos fazer uma prova forte.

E fizemos.

Mais do que o resultado, ficou a diversão de estar com quatro amigos fazendo aquilo que a gente gosta.

Quando você faz um quarteto com amigos assim, a corrida fica diferente.

Você corre, você brinca, você dá risada, você sofre junto, um ajuda o outro, um entra quando o outro precisa descansar.

E no final você percebe que a prova não é só sobre tempo.

É sobre as histórias que ficam.

A única coisa que realmente lamentamos foi o acidente do Jandosa.

Ele vinha fazendo uma prova espetacular, provavelmente caminhando para um dos melhores tempos da competição, mas acabou se machucando e precisou abandonar.

Faz parte da prova. Faz parte do esporte. Às vezes você cai, às vezes se machuca, e naquele dia aconteceu com ele.

Mas ele já está bem melhor e recuperado.

E teve ainda um último gesto que, para mim, fechou essa história de uma maneira muito especial.

Por uma coincidência, nós ficamos hospedados na mesma pousada que o Jandosa.

E quando chegamos lá, o Emerson falou:

“Assim que eu encontrar o Jandosa, vou entregar o meu troféu para ele.”

Não era pelo resultado.

Era uma forma de demonstrar respeito, admiração e reconhecimento pela força que ele teve durante aquela prova.

E foi exatamente o que aconteceu.

De uma maneira simbólica, o Emerson entregou o próprio troféu ao Jandosa, que havia abandonado a prova faltando apenas 50 quilômetros para a chegada.

E acho que esse gesto representa muito bem o espírito daquela UAI.

No final das contas, não é só sobre quem chegou primeiro.


É sobre correr, sofrer, se divertir, respeitar quem está do outro lado, ajudar os amigos e sair de uma prova com histórias para contar.

A nossa história foi essa.

Eu, Emerson, Morelli e Latansa.

Quatro amigos, uma estratégia, muita chuva, muito frio, 235 quilômetros e 29 horas e 14 minutos de muita diversão.

Mais uma brincadeira concluída.

E, como sempre…

Prontos para a próxima.

Até o próximo desafio, até a próxima história.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

THE ARK 100 MILHAS – CHARQUEADA/SP - Mais uma jornada de resistência e experiência

 

Largada
Eu recebi o convite para participar da The Ark, prova da minha amiga Mônica Otero, ainda no ano passado. Naquele momento eu prometi para ela que faria a prova em 2026. Então comecei a encaixar esse desafio no meu calendário e já pensando em toda preparação necessária para encarar mais 100 milhas.

 Convidei meu amigo Emerson para viver essa experiência comigo. Nós já fizemos muitas provas juntos e temos um jeito parecido de encarar ultramaratonas: sempre com respeito pela distância, sem exageros no início e pensando muito mais em terminar bem do que simplesmente correr rápido.

 Mas uma coisa nos chamou atenção logo de cara. Conversando com atletas e vendo os resultados das edições anteriores, percebemos que a prova tinha um número muito grande de desistências. Muitos DNFs. Aquilo despertou nossa curiosidade.

 Foi então que surgiu a ideia do Emerson:

 “Vamos conhecer o percurso antes da prova. ”

 E assim fizemos. Aproveitamos um treino de final de semana para ir até a região de Charqueada. Fizemos cerca de 50 quilômetros correndo e depois seguimos parte do percurso de carro, analisando o trajeto e tentando entender o motivo de tantas desistências.

 E não demorou muito para entendermos.

 O grande desafio da prova era o calor extremamente forte da região, combinado com a falta de estrutura durante muitos trechos do percurso. Em vários pontos não havia onde comprar uma água, um refrigerante ou isotônico. O atleta praticamente dependia exclusivamente da hidratação da organização.

 Depois desse reconhecimento, mudamos completamente nossa estratégia. Decidimos que faríamos a prova com apoio.

 Mais uma vez entrou em ação a Claudia, sempre presente nas minhas aventuras e desafios. Ela ficou responsável pelo carro de apoio, levando nossa hidratação, suplementação, alimentação e todo suporte necessário durante a prova. Sem esse apoio, tudo certamente seria muito mais difícil.

Calor 
 Chegamos em Charqueada no dia 27, um dia antes da largada. Como a prova começaria muito cedo, seria impossível chegar no mesmo dia. Então nos hospedamos por lá para descansar e nos preparar com
calma.

 Na manhã da largada fomos bem tranquilos, dentro da estratégia que sempre utilizamos. Em ultramaratonas longas, experiência conta muito. Eu e o Emerson sabemos respeitar o tempo da prova e entendemos que 160 quilômetros não se vencem na empolgação.

 Logo no início percebemos algumas mudanças no percurso em relação aos anos anteriores. A organização estava tentando incluir mais uma cidade no trajeto, justamente para melhorar um pouco a estrutura e dar mais apoio aos atletas.

 Outra novidade era que os atletas poderiam encerrar a prova nos 80 quilômetros e receber oficialmente a conclusão dessa distância, sem serem considerados desistentes. E realmente muita gente acabou optando por parar ali.

 Mas nós já tínhamos ido preparados mentalmente para completar as 100 milhas.

 O calor realmente castigou durante boa parte do dia. Temperaturas altas, trechos expostos e um desgaste constante. Mas graças à experiência acumulada em tantas ultras, conseguimos administrar bem a situação. O apoio da Claudia foi fundamental durante toda a prova e conseguimos manter nossa estratégia sem grandes problemas.

 A prova exigia muita atenção também na navegação. Em alguns trechos, principalmente dentro de uma área de reserva ambiental, não era permitido colocar fitas ou marcações tradicionais. A sinalização era feita apenas no solo, e o atleta precisava estar atento ao arquivo GPX no relógio ou celular.

 Muitos atletas acabaram errando o caminho nas outras distâncias. Mas nós fomos bem preparados nesse aspecto também, utilizando GPX e acompanhando constantemente a navegação. Nos 160 quilômetros a marcação estava boa e conseguimos seguir sem problemas.

Missão Cumprida
 E assim fomos avançando quilômetro após quilômetro, administrando o desgaste, o calor e a longa jornada até completar mais uma ultramaratona de 100 milhas.

 
No final, ficou aquela sensação boa de missão cumprida. Mais uma prova difícil concluída. Mais uma experiência vivida. Mais uma história para guardar na memória.

 As ultramaratonas continuam me ensinando muito sobre resistência, estratégia, paciência e respeito pelos limites do corpo.

 E seguimos em frente.

 Sempre realizado. Sempre aprendendo. E sempre aguardando os próximos desafios.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Ultraloucos Backyard Ultra – A nossa primeira edição já entrou para a história

 

Osires e Jandosa
No dia 28 de fevereiro de 2026 realizamos a primeira edição da Ultraloucos Backyard Ultra, aqui na região de São Bernardo do Campo, em plena Serra do Mar, utilizando trechos históricos do Caminho do Sal. A concentração e estrutura da prova ficaram no tradicional Rancho do Rubinho, espaço muito conhecido na região por receber eventos e provas esportivas.

 Antes de falar da nossa prova, vale explicar rapidamente para quem ainda não conhece o formato Backyard Ultra.

 A Backyard Ultra é uma modalidade criada por Lazarus Lake, onde a cada hora é dada uma nova largada para um circuito de 6,7 km. O atleta precisa completar a volta dentro da hora estabelecida. Quem termina pode largar novamente na hora seguinte. Quem não consegue completar dentro do tempo ou decide parar está eliminado.

 A disputa continua até restar apenas um atleta em pé. Por isso a Backyard também é conhecida como “Resta Um”.

Quando começamos a planejar nossa prova, queríamos criar um circuito rápido, corrível e que proporcionasse um grande volume de voltas aos atletas. Procuramos então desenhar um percurso com pouquíssima altimetria. Nos 6,7 km do circuito tínhamos pouco mais de 70 metros de ganho acumulado, deixando o trajeto extremamente plano para os padrões de trilha e ultramaratona.

O resultado foi fantástico.

Contamos com quase 170 atletas inscritos e, naquele momento, alcançamos o recorde de inscritos em uma Backyard Ultra no Brasil. Poucos dias depois outra prova acabou superando nossa marca, mas tivemos a felicidade de ficar por alguns dias com esse recorde histórico.

Fernando 600m
Mais importante do que números foi a energia que tomou conta do evento.

Conseguimos reunir muitos nomes fortes das ultramaratonas, além da presença marcante da família Ultraloucos. Inclusive criei um desafio especial para os integrantes do grupo: um troféu simbólico para o Ultralouco que conseguisse rodar mais voltas.

E o vencedor desse desafio interno foi o Fernando Gomes, mais conhecido como “600 Metros”.

Ele completou 12 voltas, permanecendo 12 horas seguidas na prova, alcançando aproximadamente 80 km percorridos. Uma grande atuação.

 Na disputa geral, dois atletas seguiram impressionando durante mais de 30 horas consecutivas de corrida: Jandosa e Osires.

 No final, Jandosa conquistou a vitória da nossa primeira Ultraloucos Backyard Ultra, enquanto Osires ficou com a segunda colocação, após uma batalha incrível de resistência física e mental.

 Além da competição em si, uma das maiores alegrias foi receber tantos elogios dos atletas.

Última volta
 Muita gente comentou sobre a organização, a alimentação, o acolhimento e a energia do ambiente. O Rancho do Rubinho nos recebeu de braços abertos e proporcionou um espaço extremamente aconchegante para atletas, equipes de apoio e familiares.

 Também contamos com estrutura de massagistas, áreas de descanso e todo um cuidado para que os participantes se sentissem confortáveis durante tantas horas de prova.

 

Talvez o mais gratificante tenha sido ouvir, ainda durante o evento, a pergunta que mais nos deixou felizes:

 “Quando será a próxima edição? ”

 Isso mostrou que conseguimos criar muito mais do que apenas uma corrida.

 Criamos uma experiência.

 E sem dúvida alguma, a primeira Ultraloucos Backyard Ultra já entrou para a nossa história.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Passos que Contam Histórias - Um livro sobre resistência, escolhas e paixão pelas ultramaratonas

Este livro nasceu da estrada, do asfalto quente, das trilhas técnicas, das noites em claro, do silêncio da madrugada e das conversas internas que só quem corre muito longe conhece.

 Ao longo das páginas, compartilho minha trajetória dentro das ultramaratonas — desde os primeiros desafios até algumas das provas mais duras e emblemáticas do Brasil e do mundo. Mais do que resultados, este é um livro sobre processo, aprendizado, persistência e sobre respeitar o próprio corpo para continuar em movimento por muitos anos.

 Não é um manual técnico. É um relato real, vivido, com erros, acertos, dúvidas, medos e momentos de pura emoção. Um livro para quem corre, para quem já correu, para quem pensa em correr… e também para quem simplesmente gosta de boas histórias de superação e autoconhecimento.

 Se você acredita que o verdadeiro desafio não é apenas chegar mais rápido, mas continuar chegando, este livro é pra você.

   

📍 Onde encontrar o livro

  O livro está disponível em diferentes formatos, para facilitar o acesso de todos:

 📘 Livro físico

– Diretamente no site da Editora Scortecci

– Com parceiros da editora 

📱 E-book (formato digital)

– Amazon (Kindle)

– Google Play Livros 

📦 Diretamente comigo

Quem preferir, também pode adquirir o livro entrando em contato diretamente comigo pelas minhas redes sociais.

   💬 Espero que esta leitura inspire você a seguir em frente, respeitando seus limites, mas sem deixar de sonhar alto.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Brazil 135 Ultramarathon 2026 – Amizade, Estratégia e Mais Uma História na Estrada

 

A Brazil 135 Ultramarathon 2026 aconteceu logo no início do ano, praticamente na primeira semana de janeiro. Congresso Técnico no dia 7 e largada no dia 8, às oito horas da manhã. Começar o ano assim, na estrada, já diz muito sobre o que essa prova representa para mim.

O formato da prova foi o mesmo do ano anterior. Apesar de manter o nome “135”, a competição passou definitivamente a ter 150 milhas, totalizando 240 quilômetros, percorrendo o Caminho da Fé em um formato de ida e volta.

Existem diversos PCs ao longo do percurso, mas o ponto mais interessante do formato são os chamados pontos de decisão PD— localizados em:

                             Inconfidentes (55 milhas / ~88 km)

                             Tocos do Mogi (80 milhas / ~128 km)

                             Estiva (100 milhas / ~160 km)

                             Paraisópolis (120 milhas / ~192 km)

Esses pontos permitem ao atleta solo encerrar sua prova nessas distâncias.

👉 Importante: essa opção vale somente para o solo.

Duplas, trios e quartetos não têm pontos de decisão — para equipes, a prova é obrigatoriamente as 150 milhas / 240 km.

Após Paraisópolis, segue-se até Luminosa (135 milhas / ~217 km), ponto de retorno, e então volta-se pelo mesmo caminho até Paraisópolis, completando as 150 milhas.

O quarteto e o espírito da prova

Em 2026, participei da Brazil 135 Ultramarathon em quarteto. Inicialmente, a ideia era correr em dupla com a minha esposa, Claudia, mas devido ao trabalho e à falta de tempo para treinar, ela achou melhor não participar — decisão madura e respeitada.

Foi então que recebi o convite para integrar um quarteto formado só por amigos:

                             João Morelli

                             Vinícius

                             Latansa

Todos amigos de longa data, o que já deixava claro que essa não seria apenas mais uma competição. O quarteto ainda contou com um apoio fundamental, com o Demétrius, o João Augusto e o Breno, formando uma equipe afinada e experiente.

Congresso Técnico e um momento especial

No dia 07/01, durante o Congresso Técnico, veio a primeira grande surpresa: fui homenageado como
All Star da Brazil 135, título concedido aos atletas com mais de 10 participações/conclusões na prova.

Além do reconhecimento, pudemos escolher um número para nos acompanhar até o fim das nossas participações na Brazil 135. Escolhi o 51, o mesmo número que usei na Barkley Marathon, criando uma conexão muito especial entre duas provas que marcaram minha trajetória.

 Na nossa equipe, dois atletas receberam o título: eu e o Latansa. Além do número, ganhamos uma medalha especial e um agasalho personalizado da prova. Um momento de celebração, reconhecimento e muita emoção.

A largada e a estratégia

Acordamos cedo no dia 8, tomamos um café da manhã reforçado e seguimos para a largada. Estávamos com dois carros de apoio, estratégia pensada principalmente para o período noturno, permitindo paradas maiores e melhor descanso.

                             Em um carro: Vinícius e Latansa

                             No outro: eu e João Morelli

O Morelli, como estrategista do grupo, montou uma planilha com possíveis objetivos de tempo: 28h, 30h ou 32h, permitindo ajustes conforme a prova evoluísse.

Às oito da manhã, a largada foi dada. Começamos com uma estratégia agressiva, revezando trechos curtos de aproximadamente 2 km, buscando uma prova rápida. Tudo fluía conforme o planejado.


Tivemos um pequeno contratempo próximo a Andradas, quando um dos pneus do carro de apoio furou, obrigando os quatro atletas a seguirem por um trecho sem suporte. Nada que abalasse o grupo.

O clima era de diversão e amizade. Sem preocupação com colocação, curtíamos cada detalhe do Caminho da Fé: a paisagem, as fazendas, as igrejas, a vegetação. Um percurso mágico, único.

As serras e o ajuste fino

Até a metade da prova, seguimos bem dentro da projeção das 28 horas, com alguma folga. Mas quando começaram as grandes serras, ficou claro que manter esse ritmo seria difícil.

Foi aí que percebemos algo interessante:

                             Vinícius e Latansa rendiam muito bem nas descidas

                             Eu e o Morelli rendíamos melhor nas subidas

Virou até brincadeira: coincidência ou não, quase todas as subidas ficavam para mim e para o Morelli.


Enfrentamos juntos o Pantano, a Serra do Caçador, o trecho de Consolação a Paraisópolis e a subida do Cantagalo.

Com o tempo, a equipe ficou totalmente sincronizada nesse formato.

Quando entramos no trecho final da prova, percebemos que havíamos saído da projeção das 28 horas e entrado na faixa das 32 horas. Foi então que resolvemos arriscar.

Mudamos completamente a estratégia:

                             Latansa passou a fazer praticamente só as descidas

                             Nós três ficamos responsáveis pelas subidas e trechos planos

                             Diminuímos ainda mais os trechos de cada atleta

 A estratégia funcionou perfeitamente. Latansa fez descidas muito fortes, enquanto mantínhamos a rodagem constante para sustentá-lo.

Na volta de Luminosa, adotamos uma estratégia ainda mais ousada, com trechos curtíssimos, empurrando o ritmo até o final.

A chegada e o significado

Concluímos a prova em 29 horas e 42 minutos, conquistando o 4º lugar no quarteto. Vale destacar que, em 2026, os quartetos estavam extremamente fortes e competitivos. Mesmo com um excelente tempo, o pódio ficou muito disputado.

Chegamos muito próximos dos dois primeiros colocados solo, o que nos deixou ainda mais satisfeitos. Foi uma prova que começou sem compromisso e terminou com um resultado expressivo.


Missão cumprida.

Prova realizada.

Foi a minha 14ª participação na Brazil 135 Ultramarathon, consolidando ainda mais minha história como veterano dessa prova tão especial. Saio feliz, realizado, e com um desejo ainda vivo: correr essa
prova em dupla com a minha amada Claudia
.

Um agradecimento mais do que especial à nossa equipe de apoio, nossos verdadeiros anjos da guarda durante toda a prova: Demétrius, João Augusto e Breno. Sempre presentes, atentos e incansáveis, cuidaram de cada detalhe — da hidratação aos suplementos, do apoio logístico ao incentivo nas horas certas. Sem esse suporte constante, essa prova simplesmente não seria possível. Muito obrigado por estarem conosco do início ao fim, fazendo toda a diferença na

Obrigado a todos pelo apoio, pelas mensagens, pela torcida.

Seguimos em frente, fazendo os passos que contam histórias.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

UAI Reverse 235 km – calor, estratégia e superação

Dentro do meu projeto pessoal de completar algumas das principais provas longas do Brasil, ainda faltava a

UAI Reverse 235 km. Já havia feitos outras distâncias na Reverse e finalizado os 235 km no sentido tradicional, e agora era hora de encarar o percurso invertido — diferente, exigente e, para muitos, ainda mais duro.

Como sempre, não existe largar sem preparo. Sabendo da dificuldade da prova, encaixei três semanas de treinos fortes, 50 km no Caminho do Capivari, usei a prova da Fênix rodando 6 horas e com destaque para o tradicional treino até Bertioga na casa dos meus pais com meu grande companheiro, meu irmão Beto, foram 76 km pelo Caminho do Sal. O corpo estava pronto. A cabeça também.

Cheguei a Passa Quatro no dia 27 de novembro para retirada do kit. A largada aconteceu na manhã seguinte, às 8h. Diferente da edição do meio do ano, disputada no inverno, essa prova trouxe um fator determinante: calor e umidade. Dias antes havia chovido muito na região, e quando o sol apareceu, o clima virou uma verdadeira estufa.

Treino de Bertioga
Saí como sempre faço: controlado, respeitando a distância. Nos primeiros quilômetros, segui tranquilo, cruzando cidades como São Lourenço e Caxambu, sempre com apoio impecável da minha esposa Claudia e do meu irmão Beto. Tudo fluía bem, enfrentei a temida Serra do Papagaio em um ritmo bom e constante até Aiuruoca.

A partir dali veio o trecho mais difícil para mim: cerca de 35 km até Alagoa, beirando um rio, sob um calor úmido e castigante. Meu rendimento despencou. Foram muitos quilômetros praticamente caminhando, tentando controlar o corpo e a mente. Usei tudo que estava ao meu alcance: água gelada, gelo no pescoço, hidratação constante e, principalmente, paciência. Eu sabia que uma hora o corpo voltaria.

E voltou.

Aos poucos, consegui trotar novamente e cheguei em Alagoa mais inteiro. Em provas muito longas, os atletas ficam extremamente espaçados, e ali a solidão da corrida ficou ainda mais evidente. Daquele ponto em diante, eu sabia que a prova tinha mudado de fase.

Enfrentei então a Serra do Garrafão, uma subida dura, feita em caminhada forte, já com a companhia hora da Claudia e hora do Beto. No alto, veio uma longa descida sentido Itamonte — um trecho que exige cuidado redobrado por causa do meu joelho. Administração total.

Quase terminando a segunda noite, cheguei em Itamonte, vivendo situações que só quem corre ultras entende: apesar do cansaço sabia que faltava pouco sempre com atenção constante e o apoio dos meus anjos da guarda, Claudia e Beto faz toda diferença.

Neste último trecho já com o dia clareando e o sol nascendo, segui firme até a chegada. Cruzei a linha final com pouco mais de 46 horas, extremamente feliz.

Ainda brinquei com a organização sobre o tempo, e veio a surpresa:

3º lugar na categoria com apoio e 6º lugar geral.

Mais do que números, ficou a confirmação de algo que sempre levo comigo: quando o treino é feito e a cabeça está no lugar, o corpo responde, mesmo depois de cair.

Mais uma prova acima dos 200 km finalizada.

Mais uma história para guardar — e contar.

Já na semana seguinte a essa prova, vivi outro momento marcante: o lançamento do meu livro “Passos que Contam Histórias”. Um contraste perfeito entre o silêncio das estradas e o calor dos encontros. Esse momento vai ganhar um relato especial aqui no blog, aguarde.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

100K dos Pestes – Tapiraí - Por Pedro Cianfarani

No dia 27 de setembro participei da prova 100K dos Pestes, em Tapiraí-SP. Apesar do nome, a distância oficial é de 104 km, com uma altimetria acumulada superior a 3.000 metros, o que já mostra o nível de desafio do percurso.

Escolhi essa prova como parte da minha preparação para o UAI Reverse 235 km, no fim de novembro. Ouvi muitos comentários sobre a excelente organização dos Pestes e sobre o percurso exigente — e posso confirmar: tudo isso é verdade.

O tempo estava seco, mas o frio marcou presença tanto na largada quanto na chegada à noite. Durante o dia, o calor também apareceu, tornando a prova ainda mais dura. Larguei com um amigo que, infelizmente, precisou abandonar por volta do km 30 por causa de dores na lombar, e segui sozinho até o final, praticamente sem cruzar outros atletas.

O percurso é repleto de subidas, sendo a mais famosa a Subida dos Pestes, um verdadeiro teste de resistência. À noite, uma neblina forte caiu, mas a ótima sinalização — inclusive com marcações no solo — garantiu tranquilidade.

Os postos de controle (PCs) estavam impecáveis: bem distribuídos, com bebidas, frutas, salgadinhos, e, nos trechos noturnos, até caldo quente e café. Um grande diferencial que mostra o cuidado da organização.

Foi uma prova aprovada, desafiadora, bem estruturada e uma excelente preparação para os próximos objetivos.

Parabéns aos Pestes pela organização e pelo carinho com os atletas.

Mais uma ultramaratona concluída e registrada no meu histórico.