sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Brazil 135 Ultramarathon 2026 – Amizade, Estratégia e Mais Uma História na Estrada

 

A Brazil 135 Ultramarathon 2026 aconteceu logo no início do ano, praticamente na primeira semana de janeiro. Congresso Técnico no dia 7 e largada no dia 8, às oito horas da manhã. Começar o ano assim, na estrada, já diz muito sobre o que essa prova representa para mim.

O formato da prova foi o mesmo do ano anterior. Apesar de manter o nome “135”, a competição passou definitivamente a ter 150 milhas, totalizando 240 quilômetros, percorrendo o Caminho da Fé em um formato de ida e volta.

Existem diversos PCs ao longo do percurso, mas o ponto mais interessante do formato são os chamados pontos de decisão PD— localizados em:

                             Inconfidentes (55 milhas / ~88 km)

                             Tocos do Mogi (80 milhas / ~128 km)

                             Estiva (100 milhas / ~160 km)

                             Paraisópolis (120 milhas / ~192 km)

Esses pontos permitem ao atleta solo encerrar sua prova nessas distâncias.

👉 Importante: essa opção vale somente para o solo.

Duplas, trios e quartetos não têm pontos de decisão — para equipes, a prova é obrigatoriamente as 150 milhas / 240 km.

Após Paraisópolis, segue-se até Luminosa (135 milhas / ~217 km), ponto de retorno, e então volta-se pelo mesmo caminho até Paraisópolis, completando as 150 milhas.

O quarteto e o espírito da prova

Em 2026, participei da Brazil 135 Ultramarathon em quarteto. Inicialmente, a ideia era correr em dupla com a minha esposa, Claudia, mas devido ao trabalho e à falta de tempo para treinar, ela achou melhor não participar — decisão madura e respeitada.

Foi então que recebi o convite para integrar um quarteto formado só por amigos:

                             João Morelli

                             Vinícius

                             Latansa

Todos amigos de longa data, o que já deixava claro que essa não seria apenas mais uma competição. O quarteto ainda contou com um apoio fundamental, com o Demétrius, o João Augusto e o Breno, formando uma equipe afinada e experiente.

Congresso Técnico e um momento especial

No dia 07/01, durante o Congresso Técnico, veio a primeira grande surpresa: fui homenageado como
All Star da Brazil 135, título concedido aos atletas com mais de 10 participações/conclusões na prova.

Além do reconhecimento, pudemos escolher um número para nos acompanhar até o fim das nossas participações na Brazil 135. Escolhi o 51, o mesmo número que usei na Barkley Marathon, criando uma conexão muito especial entre duas provas que marcaram minha trajetória.

 Na nossa equipe, dois atletas receberam o título: eu e o Latansa. Além do número, ganhamos uma medalha especial e um agasalho personalizado da prova. Um momento de celebração, reconhecimento e muita emoção.

A largada e a estratégia

Acordamos cedo no dia 8, tomamos um café da manhã reforçado e seguimos para a largada. Estávamos com dois carros de apoio, estratégia pensada principalmente para o período noturno, permitindo paradas maiores e melhor descanso.

                             Em um carro: Vinícius e Latansa

                             No outro: eu e João Morelli

O Morelli, como estrategista do grupo, montou uma planilha com possíveis objetivos de tempo: 28h, 30h ou 32h, permitindo ajustes conforme a prova evoluísse.

Às oito da manhã, a largada foi dada. Começamos com uma estratégia agressiva, revezando trechos curtos de aproximadamente 2 km, buscando uma prova rápida. Tudo fluía conforme o planejado.


Tivemos um pequeno contratempo próximo a Andradas, quando um dos pneus do carro de apoio furou, obrigando os quatro atletas a seguirem por um trecho sem suporte. Nada que abalasse o grupo.

O clima era de diversão e amizade. Sem preocupação com colocação, curtíamos cada detalhe do Caminho da Fé: a paisagem, as fazendas, as igrejas, a vegetação. Um percurso mágico, único.

As serras e o ajuste fino

Até a metade da prova, seguimos bem dentro da projeção das 28 horas, com alguma folga. Mas quando começaram as grandes serras, ficou claro que manter esse ritmo seria difícil.

Foi aí que percebemos algo interessante:

                             Vinícius e Latansa rendiam muito bem nas descidas

                             Eu e o Morelli rendíamos melhor nas subidas

Virou até brincadeira: coincidência ou não, quase todas as subidas ficavam para mim e para o Morelli.


Enfrentamos juntos o Pantano, a Serra do Caçador, o trecho de Consolação a Paraisópolis e a subida do Cantagalo.

Com o tempo, a equipe ficou totalmente sincronizada nesse formato.

Quando entramos no trecho final da prova, percebemos que havíamos saído da projeção das 28 horas e entrado na faixa das 32 horas. Foi então que resolvemos arriscar.

Mudamos completamente a estratégia:

                             Latansa passou a fazer praticamente só as descidas

                             Nós três ficamos responsáveis pelas subidas e trechos planos

                             Diminuímos ainda mais os trechos de cada atleta

 A estratégia funcionou perfeitamente. Latansa fez descidas muito fortes, enquanto mantínhamos a rodagem constante para sustentá-lo.

Na volta de Luminosa, adotamos uma estratégia ainda mais ousada, com trechos curtíssimos, empurrando o ritmo até o final.

A chegada e o significado

Concluímos a prova em 29 horas e 42 minutos, conquistando o 4º lugar no quarteto. Vale destacar que, em 2026, os quartetos estavam extremamente fortes e competitivos. Mesmo com um excelente tempo, o pódio ficou muito disputado.

Chegamos muito próximos dos dois primeiros colocados solo, o que nos deixou ainda mais satisfeitos. Foi uma prova que começou sem compromisso e terminou com um resultado expressivo.


Missão cumprida.

Prova realizada.

Foi a minha 14ª participação na Brazil 135 Ultramarathon, consolidando ainda mais minha história como veterano dessa prova tão especial. Saio feliz, realizado, e com um desejo ainda vivo: correr essa
prova em dupla com a minha amada Claudia
.

Um agradecimento mais do que especial à nossa equipe de apoio, nossos verdadeiros anjos da guarda durante toda a prova: Demétrius, João Augusto e Breno. Sempre presentes, atentos e incansáveis, cuidaram de cada detalhe — da hidratação aos suplementos, do apoio logístico ao incentivo nas horas certas. Sem esse suporte constante, essa prova simplesmente não seria possível. Muito obrigado por estarem conosco do início ao fim, fazendo toda a diferença na

Obrigado a todos pelo apoio, pelas mensagens, pela torcida.

Seguimos em frente, fazendo os passos que contam histórias.

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