A Brazil 135 Ultramarathon 2026 aconteceu logo no início do ano, praticamente na primeira semana de janeiro. Congresso Técnico no dia 7 e largada no dia 8, às oito horas da manhã. Começar o ano assim, na estrada, já diz muito sobre o que essa prova representa para mim.
O formato da prova foi o mesmo do
ano anterior. Apesar de manter o nome “135”, a competição passou
definitivamente a ter 150 milhas,
totalizando 240 quilômetros,
percorrendo o Caminho da Fé em um formato de ida e volta.
Existem diversos PCs ao longo do percurso, mas o ponto
mais interessante do formato são os chamados pontos de decisão PD—
localizados em:
• Inconfidentes (55 milhas / ~88 km)
• Tocos do Mogi (80 milhas / ~128 km)
• Estiva (100 milhas / ~160 km)
• Paraisópolis (120 milhas / ~192 km)
Esses pontos permitem ao atleta solo encerrar sua prova nessas
distâncias.
👉 Importante: essa opção vale somente para o solo.
Duplas, trios e quartetos não têm pontos de decisão — para
equipes, a prova é obrigatoriamente as 150
milhas / 240 km.
Após Paraisópolis, segue-se até Luminosa (135 milhas / ~217 km),
ponto de retorno, e então volta-se pelo mesmo caminho até Paraisópolis,
completando as 150 milhas.
O quarteto e o espírito da prova
Em 2026, participei da Brazil 135
Ultramarathon em quarteto.
Inicialmente, a ideia era correr em dupla
com a minha esposa, Claudia, mas
devido ao trabalho e à falta de tempo para treinar, ela achou melhor não
participar — decisão madura e respeitada.
Foi então que recebi o convite
para integrar um quarteto formado só por amigos:
• João Morelli
• Vinícius
• Latansa
Todos amigos de longa data, o que
já deixava claro que essa não seria apenas mais uma competição. O quarteto
ainda contou com um apoio fundamental, com o Demétrius, o João Augusto e o Breno, formando uma equipe afinada e
experiente.
Congresso Técnico e um momento especial
No dia 07/01, durante o Congresso Técnico, veio a primeira grande
surpresa: fui homenageado como
All Star
da Brazil 135, título concedido aos atletas com mais de 10 participações/conclusões na prova.
Além do reconhecimento, pudemos
escolher um número para nos acompanhar
até o fim das nossas participações na Brazil 135. Escolhi o 51, o mesmo número que usei na Barkley Marathon, criando uma conexão
muito especial entre duas provas que marcaram minha trajetória.
A largada e a estratégia
Acordamos cedo no dia 8, tomamos
um café da manhã reforçado e seguimos para a largada. Estávamos com dois carros de apoio, estratégia
pensada principalmente para o período noturno, permitindo paradas maiores e
melhor descanso.
• Em um carro: Vinícius e Latansa
• No outro: eu e João Morelli
O Morelli, como estrategista do
grupo, montou uma planilha com possíveis objetivos de tempo: 28h, 30h ou 32h, permitindo ajustes
conforme a prova evoluísse.
Às oito da manhã, a largada foi
dada. Começamos com uma estratégia agressiva, revezando trechos curtos de
aproximadamente 2 km, buscando uma prova rápida. Tudo fluía conforme o
planejado.
Tivemos um pequeno contratempo próximo a Andradas, quando um dos pneus do carro de apoio furou, obrigando os quatro atletas a seguirem por um trecho sem suporte. Nada que abalasse o grupo.
O clima era de diversão e amizade. Sem preocupação com
colocação, curtíamos cada detalhe do Caminho da Fé: a paisagem, as fazendas, as
igrejas, a vegetação. Um percurso mágico, único.
As serras e o ajuste fino
Até a metade da prova, seguimos
bem dentro da projeção das 28 horas,
com alguma folga. Mas quando começaram as grandes serras, ficou claro que
manter esse ritmo seria difícil.
Foi aí que percebemos algo
interessante:
• Vinícius e Latansa rendiam muito bem nas descidas
• Eu e o Morelli rendíamos melhor nas subidas
Virou até brincadeira: coincidência ou não, quase todas as subidas ficavam para mim e para o Morelli.
Enfrentamos juntos o Pantano, a Serra do Caçador, o trecho de Consolação a Paraisópolis e a subida do Cantagalo.
Com o tempo, a equipe ficou
totalmente sincronizada nesse formato.
Quando entramos no trecho final
da prova, percebemos que havíamos saído da projeção das 28 horas e entrado na
faixa das 32 horas. Foi então que
resolvemos arriscar.
Mudamos completamente a
estratégia:
• Latansa passou a fazer praticamente só as descidas
• Nós três ficamos responsáveis pelas
subidas e trechos planos
• Diminuímos ainda mais os trechos de
cada atleta
Na volta de Luminosa, adotamos uma estratégia ainda mais ousada, com trechos
curtíssimos, empurrando o ritmo até o final.
A chegada e o significado
Chegamos muito próximos dos dois
primeiros colocados solo, o que nos deixou ainda mais satisfeitos. Foi uma
prova que começou sem compromisso e terminou com um resultado expressivo.
Missão cumprida.
Prova realizada.
prova em dupla com a minha amada Claudia.
Um agradecimento mais do que
especial à nossa equipe de apoio,
nossos verdadeiros anjos da guarda durante
toda a prova: Demétrius, João Augusto e
Breno. Sempre presentes, atentos e incansáveis, cuidaram de cada detalhe —
da hidratação aos suplementos, do apoio logístico ao incentivo nas horas
certas. Sem esse suporte constante, essa prova simplesmente não seria possível.
Muito obrigado por estarem conosco do início ao fim, fazendo toda a diferença
na
Obrigado a todos pelo apoio,
pelas mensagens, pela torcida.
Seguimos em frente, fazendo os passos que contam histórias.






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