sexta-feira, 5 de junho de 2026

THE ARK 100 MILHAS – CHARQUEADA/SP - Mais uma jornada de resistência e experiência

 

Largada
Eu recebi o convite para participar da The Ark, prova da minha amiga Mônica Otero, ainda no ano passado. Naquele momento eu prometi para ela que faria a prova em 2026. Então comecei a encaixar esse desafio no meu calendário e já pensando em toda preparação necessária para encarar mais 100 milhas.

 Convidei meu amigo Emerson para viver essa experiência comigo. Nós já fizemos muitas provas juntos e temos um jeito parecido de encarar ultramaratonas: sempre com respeito pela distância, sem exageros no início e pensando muito mais em terminar bem do que simplesmente correr rápido.

 Mas uma coisa nos chamou atenção logo de cara. Conversando com atletas e vendo os resultados das edições anteriores, percebemos que a prova tinha um número muito grande de desistências. Muitos DNFs. Aquilo despertou nossa curiosidade.

 Foi então que surgiu a ideia do Emerson:

 “Vamos conhecer o percurso antes da prova. ”

 E assim fizemos. Aproveitamos um treino de final de semana para ir até a região de Charqueada. Fizemos cerca de 50 quilômetros correndo e depois seguimos parte do percurso de carro, analisando o trajeto e tentando entender o motivo de tantas desistências.

 E não demorou muito para entendermos.

 O grande desafio da prova era o calor extremamente forte da região, combinado com a falta de estrutura durante muitos trechos do percurso. Em vários pontos não havia onde comprar uma água, um refrigerante ou isotônico. O atleta praticamente dependia exclusivamente da hidratação da organização.

 Depois desse reconhecimento, mudamos completamente nossa estratégia. Decidimos que faríamos a prova com apoio.

 Mais uma vez entrou em ação a Claudia, sempre presente nas minhas aventuras e desafios. Ela ficou responsável pelo carro de apoio, levando nossa hidratação, suplementação, alimentação e todo suporte necessário durante a prova. Sem esse apoio, tudo certamente seria muito mais difícil.

Calor 
 Chegamos em Charqueada no dia 27, um dia antes da largada. Como a prova começaria muito cedo, seria impossível chegar no mesmo dia. Então nos hospedamos por lá para descansar e nos preparar com
calma.

 Na manhã da largada fomos bem tranquilos, dentro da estratégia que sempre utilizamos. Em ultramaratonas longas, experiência conta muito. Eu e o Emerson sabemos respeitar o tempo da prova e entendemos que 160 quilômetros não se vencem na empolgação.

 Logo no início percebemos algumas mudanças no percurso em relação aos anos anteriores. A organização estava tentando incluir mais uma cidade no trajeto, justamente para melhorar um pouco a estrutura e dar mais apoio aos atletas.

 Outra novidade era que os atletas poderiam encerrar a prova nos 80 quilômetros e receber oficialmente a conclusão dessa distância, sem serem considerados desistentes. E realmente muita gente acabou optando por parar ali.

 Mas nós já tínhamos ido preparados mentalmente para completar as 100 milhas.

 O calor realmente castigou durante boa parte do dia. Temperaturas altas, trechos expostos e um desgaste constante. Mas graças à experiência acumulada em tantas ultras, conseguimos administrar bem a situação. O apoio da Claudia foi fundamental durante toda a prova e conseguimos manter nossa estratégia sem grandes problemas.

 A prova exigia muita atenção também na navegação. Em alguns trechos, principalmente dentro de uma área de reserva ambiental, não era permitido colocar fitas ou marcações tradicionais. A sinalização era feita apenas no solo, e o atleta precisava estar atento ao arquivo GPX no relógio ou celular.

 Muitos atletas acabaram errando o caminho nas outras distâncias. Mas nós fomos bem preparados nesse aspecto também, utilizando GPX e acompanhando constantemente a navegação. Nos 160 quilômetros a marcação estava boa e conseguimos seguir sem problemas.

Missão Cumprida
 E assim fomos avançando quilômetro após quilômetro, administrando o desgaste, o calor e a longa jornada até completar mais uma ultramaratona de 100 milhas.

 
No final, ficou aquela sensação boa de missão cumprida. Mais uma prova difícil concluída. Mais uma experiência vivida. Mais uma história para guardar na memória.

 As ultramaratonas continuam me ensinando muito sobre resistência, estratégia, paciência e respeito pelos limites do corpo.

 E seguimos em frente.

 Sempre realizado. Sempre aprendendo. E sempre aguardando os próximos desafios.

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