quarta-feira, 14 de junho de 2017

Ultra Desafio de Morungaba 2017

Por: José Carlos Esbrissa

Momento 1
São 4:00 horas da madrugada, o dia começou cedo em pleno sábado, as 4:32 horas disparei minha primeira mensagem enviada pelo Whatsapp para a equipe ultraloucos, “Espero que todos estejam acordados e preparados” de bate e pronto foram respondendo e enviando as mensagens de que estavam acordados e se preparando para o dia “D”. As 5:10 hs todos estávamos juntos no lugar marcado para nosso encontro, e para minha surpresa ninguém atrasou, coisa de gente comprometido com a equipe e com seus objetivos.

Momento 2
Partimos rumo a Morungaba no horário combinado, numa caravana composta por 3 carros, 1 carro já tinha ido no dia anterior, a viagem teve uma parada para nosso merecido desjejum, onde pudemos descontrair e jogar um pouco de conversa fora, por sinal muito agradável.















Momento 3

Chegamos em Morungaba aproximadamente uma hora antes da largada, pegamos o Kit promocional, e começamos os preparativos para o início do grande desafio, todos aproveitaram para a troca de experiencias, ouvir atletas veteranos com muito conhecimento de muitas provas realizadas, como nossos ilustres amigos,  Dicler, Parreira, Oracha, Shimpei e o Vagner, tinha também os não tão rodados em provas, como José Carlos (Eu),  e o Eduardo, e os loucos por provar sua primeira experiencia em desafios de Ultra desta magnitude, como a Tatiane, a Dora e o Fernando, e para sua maior e primeira distância de 25 KM estava o Sidnei. A ansiedade tomou conta por todo o tempo de preparação, conferir os alimentos, os suplementos, os materiais de primeiros socorros, lanterna, todo o cuidado para não faltar nada.











Momento 4
A largada foi dada exatamente no horário marcado pela organização da prova, precisamente as 9:00 horas da manhã, logo a adrenalina tomou conta de todos, podíamos perceber em todos os atletas, amigos e desconhecidos que vieram de todos os lugares deste mundão de meu Deus, mas que por um dia inteiro pareciam que todos se conheciam, tamanha é a solidariedade com que os atletas se tratam durante todo o tempo do desafio. Subimos montanhas, passamos por trilhas, matas fechadas, terrenos adversos, descidas e tudo o mais, começou de dia e terminou a noite, o dia pareceu passar em pouquíssimas horas, nem deu para perceber o tempo passar.

Momento 5
A chegada, o final do desafio tem um sabor especial para cada um, gente que ri, que chora, que grita, que pula, abraça um amigo, abraça desconhecido, faz amizade, um sentimento inexplicável sentido por quem tem o privilégio de concluir um desafio deste porte. Todos os amigos ultraloucos conseguiram terminar a prova com dores, cansaço, mais tudo dentro do previsto e esperado e de forma gloriosa, afinal de contas este foi um ultra desafio, o nosso ultra desafio. Parabéns meus queridos amigos, levarei estes momentos para sempre em meus pensamentos e no meu coração, obrigado pelo companheirismo, vocês fazem a diferença.
Eu sou um ultralouco, eu vivi está experiência, eu tenho o que contar.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

O desafio 300 km -- Uma análise do carro de apoio - Por Dicler Agostinetti

A prova começa muitas semanas antes quando já se inicia o planejamento e logística. São dois atletas que vamos acompanhar: os irmãos Pedro e Roberto (Beto) Cianfarani.  Juntou-se a eles, meio que de última hora, Agnaldo Sampaio nosso mestre, para essa longa jornada.
Quem serão os apoios? Leva algum tempo para definir. A dificuldade está no fato de deixar a família (o Pedro que era um dos corredores, correu no dia de seu aniversário), deixar o trabalho, enfim conciliar tudo.
Finalmente conseguimos formar a equipe, que é composta por José Antonio Parreira, Carlos Maurício (que não tinha nenhuma experiência como apoio, nem nesse tipo de corrida e se mostrou de uma competência ímpar, vestiu realmente a camisa) e eu, Dicler Antonio Agostinetti.
 Parreira, sempre fundamental pelo seu senso de direção sensacional, evitando assim qualquer risco de que nos perdêssemos, além de acompanhar os atletas também correndo.
Carlos Mauricio que dirigiu nosso carro de apoio a maior parte do tempo, sempre disposto, cooperando incondicionalmente e chegou a correr também com o Pedro, no terceiro dia, em torno de 25 Km.
Eu, que mesmo com a dificuldade no meu senso de localização e uma visão noturna baixa, procurei estar sempre perto dos atletas, apoiando-os e estimulando-os o tempo todo.
Todos enfim, ligados entre si, seis homens e um objetivo.
Beto, Pedro e Agnaldo foram juntos até o Km 90, quando o Agnaldo parou. No Km 145, Beto precisou abandonar a prova por problemas físicos e metabólicos. A partir daí todas as atenções, inclusive do próprio Beto, foram para o Pedro que mais uma vez se mostrou incansável no seu objetivo.
Passei com ele a segunda noite, praticamente inteira e mais uma parte do terceiro dia. Passamos muito frio nessa noite.
Realmente deu tudo certo.
Estávamos sempre muito preocupados para que nada saísse do controle: o carro não poderia quebrar, não poderia atolar. Não poderia faltar água, isotônico, água de côco, alimentação. Descanso controlado no relógio. Após praticamente 55 horas e meia chegamos e concluímos, até agora, o maior desafio.
Não existe satisfação maior de ver que o atleta atingir seu objetivo.
Ali, todos somos veteranos (até mesmo o nosso novato Carlos portou-se como tal) e sabemos que há dias que é o dia e tudo dá certo. Há dias em que é preciso respeitar o corpo. O corpo fala.

Parabéns a todos.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Ultraloucos descendo a serra do Mar - Por José Carlos

No domingo dia 30 de abril de 2017, aproveitando o feriado prolongado de primeiro de maio, nós corredores resolvemos tirar o dia inteiro para realizar um treino diferente, descer a serra do mar pela estrada de manutenção da Rodovia dos Imigrantes numa aventura de 63 km, partindo de São Bernardo do Campo com destino final a cidade de Santos. Que seria desafiador nós já sabíamos, estávamos preparados para a distância, as dificuldades com o terreno, as dores musculares,e todas as surpresas que um novo treino proporciona, mas o que não fazíamos a menor ideia é que seria um dia especial e único, um dia para ficar na memória de todos, foi inesquecível, a região da serra do mar é maravilhosa e surpreendente, inúmeras cachoeiras, a mata atlântica, as rochas esculpidas divinamente com sua beleza descomunal, tudo é possível de se vê, mas se vê somente quem encara-la a pé, interagindo e desfrutando do que existe de mais belo neste mundão de meu DEUS. Este treino ficará registrado para sempre e fará parte do percurso do ultraloucos. Este foi mais um de nosso treino de preparação para o Ultra Desafio de Morungaba, prova que se realizará no dia 20 de maio de 2017, com as distâncias de 25, 50 e 75 km.


domingo, 30 de abril de 2017

Mais bravo que a distância

Ter o privilégio de presenciar uma tremenda amostra de bravura, perseverança e extrema resistência mental e física não se tem todo dia. Tive esse privilégio no dia 21 de abril, mais precisamente no “300 o Desafio “, prova piloto que tive a honra de estar presente entre os 25 atletas que largaram, na busca pela conclusão dos 300 km. Percorri aproximadamente 145 km, estando durante boa parte desse tempo na companhia de Agnaldo Sampaio e Gecier Gomes, atletas experientes, amigos de longa data, guerreiros que escreveram seus nomes na história dessa tão promissora prova, organizada pela Ultra Runner Eventos. Infelizmente, assim como eu, Agnaldo e Gecier não concluíram os 300 km, prejudicados por enfermidades e problemas físicos. Me restava entrar no carro de apoio e dar incentivo ao meu irmão Pedro Luiz,  que ainda estava na prova. Ele percorreu os 145 km ao meu lado, enquanto estive na prova, seguindo sozinho após meu abandono,  dando uma verdadeira lição de perseverança e resistência físico – mental, emocionando a todos que acompanharam o evento. Os primeiros 100 km da corrida era a parte mais fácil de todo o percurso, possibilitando aos atletas imprimirem ritmos mais acelerados. A temperatura surpreendeu a todos,  castigando a maioria dos corredores, influenciando a segunda metade da prova. Enquanto esteve ao meu lado, Pedro se mostrava centrado, organizado em seu ritmo,  sincronizado com sua estratégia, avançando de forma segura com o passar do tempo. A equipe de apoio estava alinhada, amparando o atleta em tudo que precisava. A equipe era formada por Carlos Maurício, Dicler Agostinetti e José Antônio Parreira,  amigos fiéis que não deixaram Pedro um só segundo de lado, imersos na missão de conduzi-lo até a linha de chegada com segurança. Vale destacar o belíssimo cenário que presenciamos pela histórica estrada Real,  que nos conduziu desde a cidade de Tiradentes até Passa Quatro, tudo pelo território mineiro. Quanto mais percebia o desgaste emocional em seus olhos, mais notava sua entrega na corrida, em superar um percurso que a  cada quilômetro ficava mais difícil. Em determinado momento da prova, seu ritmo deu uma caída,  dando parecer que poderia ter grandes problemas pra superar toda distância. Mas como já citado,  quanto mais cansado, mais Pedro se entregava em sua missão. Após correr quase toda prova entre os primeiros colocados, Pedro Luiz Cianfarani terminou a corrida em terceiro lugar geral masculino, vencendo a distância, o sono, o cansaço, superando os temidos 300 km, em pouco mais de 55 horas, sem dormir, com pequenas pausas de descanso, mostrando que uma ultramaratona se completa mais com o coração do que com o físico. Parabéns Pedro, por essa exibição ímpar de força, resistência e coragem. 

sábado, 15 de abril de 2017

300 - O Desafio

A corrida incessante de se superar, eleva o ser humano a tal ponto, de buscar sempre mais, colocando o homem em constante batalha interna, gladiando-se com sigo mesmo, injetando em cada atleta o desejo de estar cada vez mais alto, mais do que ontem e muito mais amanhã. Isso traduz um pouco o que é o ultramaratonista, um atleta comum como outros das inúmeras modalidades esportivas existentes, com suas qualidades e defeitos,  mas que olha para seus desafios não como um gigante invencível, mas como um grande obstáculo à ser vencido. Dessa forma, 30 guerreiros estarão como “pioneiros “, os primeiros a enfrentar uma nova prova, os “300 - O Desafio,  organizado pela Ultra Runner Eventos, com largada dia 21 de Abril, em Tiradentes MG, corrida de 300 km, percorrendo a famosa estrada Real, com sua linha de chegada em Passa Quatro, também em Minas Gerais. Todos os atletas que estarão presentes possuem grande experiência em provas de ultramaratona, com muitas provas em seus currículos.  Mas é claro que percorrer 300 km é um gigantesco desafio, independente da experiência do atleta. Serão pelo menos duas madrugadas a serem vencidas, além da altimetria desafiadora, com muitas serras pelo percurso,  mas nada que intimide os “malucos” que estarão encarando “300 - o Desafio”. Entre os nomes desafiados encontra – se nomes tradicionais nas principais provas brasileiras, como Pedro Luiz Cianfarani,  Gecier Gomes, Agnaldo Sampaio, Delino Tomé, entre outros, atletas que já estiveram em situações extremas, em corridas duríssimas e que certamente darão um show de superação,  buscando cada vez mais se superar,  a cada metro percorrido, a cada morro escalado, vencendo cansaço, Sono e todo tipo de dor, objetivando vencer a distância, vencer a si mesmo.

terça-feira, 4 de abril de 2017

PREPARANDO PARA GUERRA

Assistindo filmes históricos de guerra, aquele entretenimento superficial de fim de semana, me peguei refletindo como seria um treinamento para esse episódio tão triste e catastrófico. Uma guerra leva o ser humano ao extremo do extremo, seja físico ou psicológico, onde muitos acabam sucumbindo para si mesmos, antes de cair diante de seu adversário. Como estimular os aspectos exigidos a fim de deixar o combatente preparados para defenderem sua pátria ou causa, sem eliminá-lo ainda no treinamento. Em meio a essa reflexão, veio a mente a preparação que nós, os ultramaratonistas que participarão dos “300 km O Desafio”, organizado pela Ultra Runner Eventos, faremos para estarmos prontos pra encarar essa temida distância. Será que existiria algo específico, estímulos a serem executados que nos dariam a certeza de estarmos preparados para engolir os 300 km, sem anseio ou temor? Mesmo com a ciência evoluindo a cada dia, estruturando o conhecimento científico que dá base aos treinadores, para desenvolverem uma preparação organizada, muito se discute na ultramaratona, principalmente sobre o volume e a intensidade dos treinos a esses atletas, que em sua grande maioria, trabalham o dia inteiro, dormem pouco e se viram no avesso para acharem um tempinho pra treinar. Muitos atletas se entopem de rodagens, castigam seus corpos em treinos de força, chegam a percorrer quilometragens insanas, deixam suas vidas exclusivas a corrida, a fim de se prepararem plenamente para uma ultramaratona, passam da linha e chegam sem condições físicas de correr a prova. Daí vem novamente a pergunta, como se preparar para uma prova de tamanha distância, como os 300 km do “O Desafio “? Respeitando cada teoria de cada treinador, observa-se em comum que muitos estimulam a capacidade aeróbia, com muitos treinos longos, específicos que essa modalidade exige, rodagens de muitas horas, normalmente em baixa intensidade, auxiliando no aumento da auto confiança do atleta. Outros treinos que acabam sendo frequentes, são quando esses desafios serão realizados em montanhas, são as rodagens em subidas e descidas, no meio do mato ou até mesmo em plena zona urbana, onde os atletas sobem e descem sem parar, durante horas e horas. No meio disso tudo, encontramos a musculação pra fortalecer a musculatura e os treinos intervalados de intensidade (os tiros) com seus objetivos de adaptações fisiológicas, tudo isso pra deixar o atleta preparado pra guerra. Encaixar tudo isso a um ser humano que trabalha por 12 horas diárias, dorme pouco e normalmente não tem uma dieta ideal, torna – se um quebra cabeça, para não correr o risco de ao invés de deixa-lo preparado no dia da prova, ele esteja exausto, com várias tendinites, literalmente quebrado para percorrer seu desafio. Estar resistente às muitas horas de atividade, forte para superar as terríveis subidas, emocionalmente pronto para virar várias madrugadas e ainda por cima feliz por estar nessa prova que promete ser um sucesso, vem de encontro com a maioria dos atletas que temos contato. O treinamento foi realizado com sucesso,  alcançamos nossos objetivos traçados quando decidimos enfrentar “O Desafio “.No dia 21 de Abril, meu irmão Pedro Luiz e eu, enfrentaremos os 300 km da Ultra Runner e veremos se nossa estratégia de treino nos preparou de forma significativa ou não para nossa “guerra”. Depois contamos como foi!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Brazil 135 2017- Um novo contexto

Um velho e conhecido cenário, de muitas lembranças e intensas experiências, em um novo contexto. Assim os dois Ultraloucos, Pedro e Dicler,  vão enfrentar o percurso da Brazil 135 Ultramarathon,  que terá sua largada dia 12 de Janeiro, na já tradicional cidade de São João da Boa Vista e sua chegada em São Bento do Sapucaí, 261 km de muita luta. Acostumados a enfrentar o percurso na categoria solo, nossos guerreiros se uniram e vão encarar a categoria duplas no evento. Apesar de parecer mais fácil,  pelo fato de revezar a distância,  nesse tipo de prova as dificuldades são outras, por esfriar o corpo constantemente nas trocas, onde cada atleta vai percorrer uma parte, revezando a cada trecho, dificultando a retomada da corrida e consequentemente do ritmo. Cada período de repouso vem com o objetivo de recuperar a musculatura e articulações, para momentos mais tarde por o pé na estrada e “explorar a máquina “ ao máximo. Gecier Gomes e Cordeiro Ananias também formarão outra dupla, que dá mesma forma vão dar tudo de si, na mesma “pegada, na mesma jornada. Outro ultralouco no evento,  José Antônio Parreira, enfrentará os 261 km sozinho,  uma longa jornada a ser percorrida, onde muitas vezes o aspecto psicológico é mais importante do que o físico. Essa é a aposta de Parreira, que não deixa a alegria de lado, levando – a consigo por todo caminho, vencendo pouco a pouco a temida distância, das inimagináveis subidas e curtindo o visual.