sexta-feira, 15 de maio de 2015

Movimentando o mundo das corridas

Após meses sem escrever, voltamos a relatar o que os ultraloucos enfrentaram e enfrentarão daqui pra frente, buscando superar as últimas trágicas provas, mal organizadas, que renderam muita dor de cabeça aos organizadores. É justamente nesse ponto que começo esse relato, frisando a necessidade que nós, ultraloucos, estávamos em buscar por provas diferentes, outras organizações, com formato diferente, uma variada no cenário. Embarcando nesse ponto, Pedro Luiz Cianfarani, Dicler Agostinetti, José Antonio Parreira, Leleo Esteves e Bruno Bolt vão encarar às 12 Horas de Piracicaba nesse fim de semana, que será realizada no parque da rua do Porto, prova que eles ainda não participaram, uma novidade para o quinteto. A busca nesse tipo de prova, como de costume, é se aproximar ou se possível ultrapassar a marca de 100 km, cada um brigando com seus limites, acima de tudo demonstrando muita garra, “beliscando” sempre um lugarzinho no podium. A prova terá categorias solo de 6 e 12 horas, alem de duplas, quartetos e octetos, deixando o ritmo mais intenso e a pista mais dinâmica. Também nesse fim de semana, será realizada a Ultramaratona das Keys 2015, na Flórida, EUA, onde Vanderley Pereira e Regina Gastaldo estarão participando, Vanderley na categoria 160 km e Regina na categoria 50 km. Vanderley, como de costume, tem grandes chances de voltar com a vitória. No último sábado, dia 09 de Maio, enfrentei uma prova diferente, que nunca havia participado, nas estradas de terra de Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes. O nome da prova era “o rei da montanha” e ainda era noturna, obrigando a todos os atletas usarem lanternas de testa, que não iluminavam muito, mas já ajudava um pouco. O percurso tinha alguns pontos de lama, que dificultavam as subidas e descidas. Foi minha primeira prova representando a Nova Equipe, assessoria esportiva que estou trabalhando. Fomos a equipe com maior número de participantes, recebendo pelo segundo ano consecutivo o troféu, liderados pelo treinador Emerson Bisan, que alem de treinador é um experiente maratonista e ultramaratonista. A prova tinha as distâncias de 3, 7, 14 e 21 km. Por fim, ainda consegui terminar os 21 km em terceiro lugar, para minha surpresa, tirando toda diferença que os outros atletas colocavam nas descidas, puxando nas subidas, dando certo no final. Ainda em Maio, estamos nos preparando para encarar os 75 km da Bertioga Maresias, no litoral norte de São Paulo. A Nova Equipe vem com 16 atletas na categoria solo, entre eles Emerson Bisan, Tomiko Eguchi, Luis Fernando Martins, entre outros, todos buscando alcançar a linha de chegada em Maresias, curtindo o visual belíssimo e se divertindo muito, numa grande festa. Alem dos atletas da categoria solo, a Nova Equipe terá vários atletas nos trios, sextetos e octetos, deixando as praias do litoral Norte totalmente azul. Pra fechar, desejo a todos que vão participar da Maratona Internacional de São Paulo nesse domingo, dia 17 de Maio, muita luz, prudência e força de vontade, o treino foi feito e espero encontrar todos na linha de chegada. Que Deus ilumine cada passo de cada participante, que acima de tudo, todos cheguem saudáveis, alcançando seus objetivos!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Br 175 - Entre erros e acertos

Diante as chuva de reclamações quanto a organização da prova da Brazil 135+, ou Br 175, como já está sendo chamada, fica aqui a posição deste que escreve nesse blog, por amor a este esporte que praticamos e defendemos. Quando participamos de um evento, seja ele qual for, o atleta quer conquistar seus objetivos, em diversas dimensões, preparando-se para encarar aquilo que o desafio exige. Abrimos mão de vários fatores em nosso dia a dia, como fim de semana, companhia da família, almoços semanais, entre outras coisas, para treinarmos da melhor forma possível e alcançar o sucesso pessoal. A Brazil 135, diante sua história, vem sido conhecida pela sua extrema dificuldade para ser concluída, onde cada atleta para superar as intermináveis subidas eleva seus corpos ao extremo do extremo, virando madrugadas, encarando as situações climáticas, alem dos aclives e declives. Quando alguém cria coragem para enfrentar essa famosa prova, tem uma pequena consciência do intenso treinamento, físico e mental, que deverá ter para chegar até a linha de chegada. O valor da inscrição é outro fator que sensibiliza quem participa do evento. Uma prova que cobra mais de mil reais para participar de seu evento, leva ao inconsciente de cada atleta, de que teoricamente espera-se uma estrutura mínima, para suprir as necessidades do evento. Quanto mais se é dado, mais será cobrado. Os atletas participam da prova por livre e espontânea vontade, pagando o alto valor por opção, em querer pagar o preço, tudo para superar essa prova tão desafiadora. O mínimo que se espera é uma boa organização, para fazer jus ao preço pago. O valor da inscrição, como é divulgado pelos organizadores, é doado a instituições carentes. Mas isso não tira a responsabilidade dos organizadores de dar a mínima estrutura aqueles que pagaram tais inscrições. Erros podem acontecer, como aconteceram na edição inaugural dos 281 km de 2015. Entender tais erros seria sinônimo de grandeza por parte dos atletas, mas críticas construtivas somente acrescentariam na evolução da prova, para nas próximas edições, não aconteçam e o atleta não tenha álibi para se justificar. As redes sociais viraram campo de batalha aos que foram contra e aos adeptos da prova, perdendo a educação, com discussões intermináveis, mensagens agressivas, acusações, levando aos organizadores cancelarem sua página no facebook. Os atletas devem ter mais educação nas críticas e os organizadores devem ser mais humildes e admitir seus erros. Quanto ao episódio da atleta que ganhou a categoria feminina e foi desclassificada por ter dado a mão ao seu marido durante uma foto, destaco como extremamente trágico. Passei pela mesma situação em 2013, onde muitos atletas mandaram suas reclamações a prova para me desclassificar, devido estar no regulamento a proibição de contato físico do atleta com qualquer pessoa. Se está no regulamento, ela e eu desrespeitamos a regra, logo devemos ser penalizados. Uma coisa foi fato, ela venceu a categoria feminina, e tal desclassificação não mancha a vitória dela, mas sim a prova. As regras da prova devem ser revistas, para não ter tal situação e destruir a história construída durante tantos anos pelo evento. Muitos atletas quebram outras tantas regras, durante toda prova, onde muitas vezes os organizadores ficam sabendo e nada é feito. A regra deve ser para todos, independente do país que o atleta vive ou grau de amizade.  Que nós, atletas, venhamos ser mais compreensivos... e vocês, organizadores, sejam mais profissionais, respeitem os atletas que pagam por essa inscrição tão cara e que querem apenas alcançar seus objetivos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

VENCENDO TODAS AS DIFICULDADES

Superando todas adversidades, dificuldades e principalmente, as novidades, Marco Aurélio Farinazzo sagrou-se o primeiro atleta a vencer a Br175. Grandes nomes estavam no páreo, mas a soma de dificuldades foi eliminando pouco a pouco, um por um, deixando o caminho livre para esse incrível atleta, que já havia vencido a antiga Br135 e também a tão falada Bad Water, prova de 217 km realizada nos EUA. Aproveitando o clima fresco da largada, como inovação seria noturna, os atletas que buscavam diretamente pela vitória usaram a baixa temperatura para imprimir um forte ritmo, buscando abrir uma diferença para administrar no dia seguinte. Mas ninguém esperava pela altíssima temperatura que faria no dia seguinte, afetando a grande maioria dos atletas, deixando muitos pelo caminho. Se guardar para a segunda madrugada, certamente foi uma excelente estratégia utilizada, dando aqueles que a utilizaram condições vivas de concluir os 281 km dentro das 60 horas estipuladas pela organização da prova. Após 41 horas e 43 minutos de prova, superando pouco a pouco as terríveis subidas, inclusive a tão falada Serra de Luminosa, Marco Aurélio Farinazzo, colocou mais uma vez seu nome na história da ultramaratona brasileira, ao vencer os 281 km da Br175, conquistando a vitória ao chegar na cidade de Campos do Jordão. O segundo colocado foi Eduardo Calixto, bi-campeão da extinta Br135, com o tempo de 46 horas e 02 minutos. O terceiro colocado foi Reinaldo "Tubarão" Bassit, após 48 horas e 56 minutos. Dos atletas que citei em textos anteriores, amigos que correriam a Br175, devido a bagunça ocorrida no final da prova, com mudanças de linha de chegada, má sinalização e etc, não descreverei suas participações, mas dou os parabéns a todos, desde aqueles que ficaram pelo caminho(meu caso) até aqueles que venceram as inimagináveis adversidades e chegaram até a linha de chegada estipulada. O único que descreverei será Pedro Luiz Cianfarani (meu irmão), que bravamente fez uma corrida cautelosa, se poupando no inicio, mantendo o ritmo durante todo tempo. A única vez que ele fez uma grande parada para dormir foi quando chegou em Paraisópolis, com 38 horas de prova, 217 km rodados. Sua parada durou por volta de uma hora, dormindo um pouco, recuperando sua energias, seguindo em frente, na busca pela tão temida Serra de Luminosa. Como já citei, a prova nos últimos 40 km virou uma bagunça, onde a organização da prova acabou mudando a linha de chegada, cortando alguns km. Pedro foi impedido de seguir com sua prova quando faltavam aproximadamente 9 km, com 52 horas de prova. Conhecendo meu irmão como conheço, tenho certeza que se faltassem mais 100 km, certamente ele seguiria sua corrida até cruzar a linha de chegada. Na classificação divulgada pela organização da prova, Pedro aparece com a 11ª colocação dentre os 100 atletas inscritos. Parabéns meu amado irmão, por mais essa prova de extrema valentia. Dentre erros e acertos, parabenizo a todos vocês, que enfrentaram todas essas dificuldades, sem abaixar suas cabeças, levando seus corpos e mentes ao extremo. Obrigado senhor Jesus, por todo esse aprendizado, uma grande lição a cada km de todo caminho... Tu és o caminho, a verdade e a vida!

domingo, 25 de janeiro de 2015

Br 135+ - Novos desafios a serem superados

Uma situação nova, normalmente, pode trazer uma certa apreensão para aquele que a vai enfrentar. A imaginação corre solta, na busca por saber como será tal situação. A Br 135+ não foi diferente, onde a distância foi alterada de 217 km para 281 km, tendo o percurso semelhante ao anterior, porém acrescentado teoricamente mais 64 km, no qual era anunciado por aqueles que conheciam o novo local como algo imensamente difícil, superando as dificuldades do trajeto tradicional já conhecido. Uma outra novidade na prova era o horário de largada, não sendo mais às 8 horas da manhã, mas sim às 20 horas, enfrentando de cara uma madrugada. A mudança de horário foi algo pouco observado pelos atletas, que se preocuparam em sua maioria com o aumento da distância e na necessidade de não chegar exausto nos 64 km do novo percurso. Se por um lado a largada seria com um clima fresco e sem a presença do sol, por outro lado, a maioria dos atletas estariam muitas horas acordados, devido a ansiedade pelo desafio, impedindo aqueles que acordaram pela manhã e aguardaram ansiosos pela hora da largada. Estava aí a certeza que a nova Brazil 135 Ultramarathon, que agora se tornara Brazil 175, seria uma outra realidade para aqueles que a enfrentariam. Se antes era algo difícil, agora seria extremamente difícil, onde a estratégia seria extremamente importante para aqueles que desejavam cruzar a linha de chegada antes das 60 horas.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

BR135+ - O que a Dupla Flávia e Patrícia tem feito para encarar os 281 km

Flávia e eu começamos nossa preparação para a BR135+ em Outubro, quando fomos aceitas para participar da prova em dupla revezamento. Contamos com a importantíssima colaboração do nosso amigo, atleta e treinador Filipe Oliveira, para ajustar uma planilha de treinos, na qual pudéssemos conciliar trabalho, treino e, no caso da Flávia, a função de mãe também.
Como trabalhamos juntas e em horários parecidos, conseguimos fazer quase todos os treinos juntas. Assim podemos fortalecer as fraquezas uma da outra, principalmente manter a estabilidade psicológica que é uma parte importantíssima para quem quer fazer provas longas assim.
Não partimos do zero, pois durante o ano de 2014 fizemos algumas maratonas e ultramaratonas de montanhas, que nos deram uma boa base para começar a preparação específica para essa prova tão difícil.

Treinamos corrida quatro a cinco dias por semana, sendo que dois dias são treinos intervalados (tiros e rampas) e os outros são treinos longos. Rodamos entre 100 e 150 quilômetros por semana. Esses treinos fazemos preferencialmente juntas, além disso, a Flávia mantem sua rotina de musculação duas a três vezes por semana e eu faço crossfit e pratico montainbike.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

BR135+ - O que Pedro Luiz Cianfarani tem feito para encarar os 281 km

Apesar da BR 135 ter aumentado sua distância, estou me preparando da mesma forma das edições anteriores, ate porque não disponho de mais tempo para aumentar volume devido minhas atividades profissionais. Então durante a semana, faço um treino pela manhã e outro a noite (10 km cada) e sábado realizo meu longo com 40 ou 50 km. Uma coisa diferente que adotei nesta preparação é nadar as quartas e domingo, ajudando na preparação.
Quanto a estratégia, faço como nos outros anos, só penso nela quando faltarem 20 km, aí sim, vejo o que poderei fazer.
Nesta próxima edição,  mais uma vez vou poder contar com a presença da minha companheira Claudia e meus amigos Dicler e Parreira.
Boa prova a todos!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

BR135+ - O que Filipe Oliveira tem feito para encarar os 281 km

Minha preparação atrasou um pouco, pois fiquei em primeiro na lista de espera, fazendo assim que optasse por outras provas “menores” de 42 e 55 km. Depois de iniciado os treinos saiu o convite do Comandante, um atleta desistiu e eu como primeiro da lista de espera fui convocado. Treinei para as provas menores até final de novembro, mas em todos os outros meses anteriores além da musculação foi incluído uma rotina de 1 hora de caminhada duas vezes na semana, acreditando ser essencial para meu objetivo de completá-la dentro do tempo limite. Este ano foi mais tranqüilo, optei pelas corridas e larguei a graduação de nutrição, onde me sobrou mais tempo pra treinar e principalmente para dormir. Agora no final de ano quase de férias inclui os treinos noturnos, onde uma vez por semana vou correndo de madrugada para a cidade da minha mãe, a vizinha Dumont, onde a escuridão tem me ensinado muito sobre a natureza e sobre mim mesmo e amei os novos treinos onde o céu estrelado tem me feito companhia. E foi nesses percursos noturnos e solitários que descobri o quanto a corrida me faz bem, sem tempo e nem medos, me entrego e apenas deixo acontecer, a corrida toma conta de mim e eu apenas tenho o trabalho de contemplar o mundo a minha volta.