E especial
ele realmente foi.
Saímos de
Águas da Prata com um plano na cabeça, uma boa dose de coragem e, como sempre,
aquela vontade de colocar o corpo à prova.
Meu objetivo
era fazer 100 quilômetros.
Seria o meu
primeiro treino de três dígitos na preparação para o próximo grande desafio.
Ao meu lado,
estava mais uma vez o amigo Emerson. Afinal, parece que ele está em todos os
lugares! 😂
O plano
inicial era interessante. Eu faria os meus 100 quilômetros, enquanto o Emerson
seguiria para mais 70. Entre corrida, apoio e estrada, um ajudaria o outro. O
carro seria nosso ponto de apoio, levando comida, bebida e tudo aquilo que uma
aventura dessas exige. Depois, a ideia era seguir revezando até Aparecida.
Era um plano
bonito.
Mas a
natureza resolveu participar da brincadeira.
E participou
com força.
A partir da
tarde de sábado, a chuva simplesmente não parou.
Era chuva.
Mais chuva.
E depois…
mais chuva ainda.
Mesmo assim,
seguimos com o nosso treino.
O mais
importante para mim era encontrar um ritmo que pudesse fazer sentido pensando
lá na frente. Não era simplesmente correr rápido. Era correr pensando na
distância, no tempo, na conversa que eu precisaria ter com meu corpo durante
muitas e muitas horas.
E encaixou.
Encaixou
muito bem.
Completei
meus 100 quilômetros em 16 horas.
Meu primeiro treino de três dígitos.
E posso
dizer que terminei super feliz.
O Emerson
completou os seus 70 quilômetros, e nós dois tínhamos motivos de sobra para
comemorar.
Estávamos
indo em direção a Paraisópolis, mas acabamos parando um pouco antes de chegar à
cidade. A chuva já tinha castigado demais toda a região, e sabíamos que o que
vinha pela frente poderia transformar completamente o objetivo do nosso treino.
A ideia era
continuar em direção a Aparecida, mas para isso ainda teríamos que enfrentar a
subida da Serra de Luminosa.
E aí entrou
aquilo que, depois de tantos quilômetros e tantas provas, a gente aprende a
respeitar: bom senso também faz parte da ultramaratona.
Vimos as
condições de quem estava tentando subir a serra.
Barro.
Muita chuva.
Trechos
praticamente impossíveis.
E percebemos
que insistir naquele momento poderia estragar um treino que já tinha sido
excelente.
Pouco antes
da meia-noite de sábado, tomamos a decisão de encerrar.
Não foi
desistência.
Eu tinha
meus 100 quilômetros.
O Emerson
tinha seus 70.
Tínhamos
feito um treino de qualidade.
Tínhamos
enfrentado horas de estrada, chuva e montanha.
Voltei para
casa cansado, obviamente.
Mas daqueles
cansados que sorriem.
Porque, pela
primeira vez nessa preparação, fiz um treino de 100 quilômetros.
Meu primeiro
treino de três dígitos.
E o melhor
de tudo foi perceber que o ritmo encaixou, que o corpo respondeu e que a cabeça
continua querendo seguir em frente.
Ainda existe
muito caminho pela frente.
Muitos
quilômetros.
Muitas
conversas com o corpo.
Mas depois
desse final de semana, uma coisa ficou ainda mais clara para mim:
Estou no
caminho certo, rumo ao próximo desafio.


