sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Meu primeiro treino de três dígitos - 100 km no Caminho da Fé

Aproveitando o feriado de 7 de setembro, resolvemos fazer um treino especial no Caminho da Fé.

E especial ele realmente foi.

Saímos de Águas da Prata com um plano na cabeça, uma boa dose de coragem e, como sempre, aquela vontade de colocar o corpo à prova.

Meu objetivo era fazer 100 quilômetros.

Seria o meu primeiro treino de três dígitos na preparação para o próximo grande desafio.

Ao meu lado, estava mais uma vez o amigo Emerson. Afinal, parece que ele está em todos os lugares! 😂

O plano inicial era interessante. Eu faria os meus 100 quilômetros, enquanto o Emerson seguiria para mais 70. Entre corrida, apoio e estrada, um ajudaria o outro. O carro seria nosso ponto de apoio, levando comida, bebida e tudo aquilo que uma aventura dessas exige. Depois, a ideia era seguir revezando até Aparecida.

Era um plano bonito.

Mas a natureza resolveu participar da brincadeira.

E participou com força.

A partir da tarde de sábado, a chuva simplesmente não parou.

Era chuva.

Mais chuva.

E depois… mais chuva ainda.

Mesmo assim, seguimos com o nosso treino.

O mais importante para mim era encontrar um ritmo que pudesse fazer sentido pensando lá na frente. Não era simplesmente correr rápido. Era correr pensando na distância, no tempo, na conversa que eu precisaria ter com meu corpo durante muitas e muitas horas.

E encaixou.

Encaixou muito bem.

Completei meus 100 quilômetros em 16 horas.

Meu primeiro treino de três dígitos.


E posso dizer que terminei super feliz.

O Emerson completou os seus 70 quilômetros, e nós dois tínhamos motivos de sobra para comemorar.

Estávamos indo em direção a Paraisópolis, mas acabamos parando um pouco antes de chegar à cidade. A chuva já tinha castigado demais toda a região, e sabíamos que o que vinha pela frente poderia transformar completamente o objetivo do nosso treino.

A ideia era continuar em direção a Aparecida, mas para isso ainda teríamos que enfrentar a subida da Serra de Luminosa.

E aí entrou aquilo que, depois de tantos quilômetros e tantas provas, a gente aprende a respeitar: bom senso também faz parte da ultramaratona.

Vimos as condições de quem estava tentando subir a serra.

Barro.

Muita chuva.

Trechos praticamente impossíveis.

E percebemos que insistir naquele momento poderia estragar um treino que já tinha sido excelente.

Pouco antes da meia-noite de sábado, tomamos a decisão de encerrar.

Não foi desistência.

 Foi experiência.

Eu tinha meus 100 quilômetros.

O Emerson tinha seus 70.

Tínhamos feito um treino de qualidade.

Tínhamos enfrentado horas de estrada, chuva e montanha.

E, principalmente, tínhamos conseguido aquilo que mais queríamos: sair dali felizes com o que o nosso corpo mostrou.

Voltei para casa cansado, obviamente.

Mas daqueles cansados que sorriem.


Porque, pela primeira vez nessa preparação, fiz um treino de 100 quilômetros.

Meu primeiro treino de três dígitos.

E o melhor de tudo foi perceber que o ritmo encaixou, que o corpo respondeu e que a cabeça continua querendo seguir em frente.

Ainda existe muito caminho pela frente.

Muitos quilômetros.

Muitas conversas com o corpo.

Mas depois desse final de semana, uma coisa ficou ainda mais clara para mim:

Estou no caminho certo, rumo ao próximo desafio.