quarta-feira, 19 de junho de 2019

Iniciação de um Ultralouco - Pelo Estagiário Filipe


Sexta-feira, véspera do primeiro treino pra ultramaratona que iria fazer, e comecei a sentir a garganta raspar... logo começaram a vir os calafrios, dores no corpo, febre... me deitei e já pensei que não conseguiria acordar no dia seguinte para o treino... foi quando minha mãe veio com um chá de leite queimado com canela, receita que ela viu na internet e seria boa para a garganta... bom, não custava nada tomar... fui e tomei, e tinha que tomar muito quente, mesmo queimando o céu da boca todo, senão não faria efeito... e eu que não esperava nada, em minutos, a febre começou a baixar, o corpo a recuperar e peguei no sono... suei a noite toda e quando acordei para o treino parecia que nunca tinha ficado doente! Me arrumei e fui para o maior desafio que já tive, afinal, o máximo que já havia corrido foram 42 kms, a maratona de SP...

Só sei que quando você ler em algum lugar que ultramaratona é surreal, que o corpo tem que estar muito bem preparado, só não mais que o psicológico, acredite... e cada km vale, cada km tem uma história diferente, cada km tem uma dor diferente e uma motivação diferente... do km 1 ao 17 até a primeira balsa, estava muito bem, subindo todas as pirambeiras bem tranquilo, porém quando chegou a primeira balsa e sentei, o corpo já relaxou, as pernas sentiram e do km 17 ao 29 foi bastante sofrido e de administração... tinha tomado um gel no km 15, outro no 30 (agora sei que preciso suplementar melhor para aguentar bem), mas o que me salvou por incrível que pareça foi a coca-cola com toda sua cafeína e sódio! Nos outros 7 kms até a terceira balsa estava novo em folha! Aí aconteceu algo que eu já sabia, porém não estava acostumado... almoçar no meio do treino para aguentar a volta! Macarrão com ovo! E tem que comer, porque depois dos 30 kms, a quantidade de nutrientes perdidas é algo preocupante! Eu nunca tinha voltado ou começado a correr logo após uma refeição e para mim foram 2 kms de dores abdominais insuportáveis e que me faziam andar! aí chegamos no temido rodoanel, quase 10 kms de rodovia que parecia que nunca vai acabar e a surpresa! Assim que entrei comecei a dar um gás em 3 kms que eu mesmo não acreditei e me fizeram pensar que até o fim do longão, não ia sentir nenhuma dor... ledo engano! Do 45 até o final minhas pernas fadigaram de tal maneira que fui ao inferno e voltei várias vezes! O aplicativo marcou ao final do treino 63,8 kms, então foram quase 19 kms rezando para terminar, pois andar era muito difícil com as pernas extremamente fadigadas, mas não dava para correr o tempo todo, então ficava nesse dilema... esses quase 19 kms ficaram totalmente por conta do psicológico, porque por várias vezes reclamei que não terminava o Rodoanel ou a Anchieta, pensei em pedir um Uber ou me perguntei se ali onde estava passava Uber, ou simplesmente parar ali mesmo e me jogar no chão até dormir... passou tudo pela cabeça! Mas nessa hora, você só tem um objetivo, aponta nele e vai! E quem me ajudou demais nessa hora foi o Dicler, que ficou comigo o tempo todo com um sorriso no rosto, que dizia, “estagiário, sei o que você está sentindo, já passei por isso e sei que você também consegue superar” ou quando na Anchieta me disse, “eu sempre miro um objetivo ao longe quando estou cansado e vou, que nem aquele poste lá ao longe, vou começar a correr de novo a partir dele”... coisas simples que fazem um efeito muito grande psicologicamente. Agradeço demais, além do Dicler, ao Parreira e ao Pedrinho, companheiros dessa loucura e que me fizeram e fazem cada vez mais amar maratonas e ultramaratonas, e que compartilham comigo toda sua experiência e dicas que salvam! Correr mais de 60 kms é possível sim e uma experiência que vale a pena ser vivida!

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