quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Bolívia, acima de qualquer expectativa... Por Márcio Zitei

           Em meados de 2019, fui convidado pelo amigo Pedro Cianfarani para dar apoio em uma prova de resta um; Como primeiro desafio, tive que ver como seria essa prova para saber em como eu poderia dar apoio em uma competição inédita, prova em circuito de 6 km e 700 metros; A prova consistia em realizar a volta de 6700 metros, num percurso bem acidentado, antes de 60 minutos, iniciando mais uma volta em mais 60 minutos, assim sucessivamente, sendo eliminado quem
estourasse o tempo, sendo o campeão o último que sobrasse. O segundo ponto a ser pensado seria como conseguir dar apoio em um país que nunca pensei em visitar, não conhecia nada sobre, principalmente sobre o local da prova, Millares um vilarejo pertencente a Potosi (cidade) que estava em festividade pelos 107 anos de fundação...
           Como gosto de desafios e também ajudar os amigos em apoios nas corridas, aceitei o desafio com a responsabilidade da Claudia (esposa do Pedro) que ele só iria correr se tivesse meu apoio...
No dia 21 de outubro de 2019 embarcamos para a Bolívia, via Santa Cruz e depois Sucre, cidade base para nossa logística, desta forma só iriamos para Millares no dia da prova, que ficava cerca de 1 hora de distância. Em Sucre nos deparamos com o início das manifestações políticas da Bolívia contra a apuração dos votos para a Presidência daquele país. Mesmo assim, logo percebemos o quanto a Bolívia era acolhedor, histórico, cultural e gastronômico... Após dois dias de passeios e adaptação à altitude, cerca de 2.800 metros, fomos treinar na véspera da prova em um parque dentro da cidade para ambientar a corrida na altitude...
          Finalmente chegou o dia da prova, acordamos cedo e às 5:30 horas
partimos de táxi para Millares, ansiedade para saber o que nos esperava naquele local, como seria a recepção das pessoas, local para ficar, alimentação, hidratação.... Quantas interrogações !!
          Logo que chegamos toda essa ansiedade foi tranquilizada, isso porque tivemos uma ótima recepção do organizador Iso Yucra e sua equipe de apoio, ou posso dizer que toda a comunidade seria sua equipe de apoio, o evento parou a cidade, prepararam várias tendas e aos atletas de fora que foram correr, tinha uma barraca e colchão inflável, uma tenda para cada um, água, gelo e alimentação disponível...
          Bem, antes ainda do início da corrida, tivemos muitas fotos, entrevista para uma rádio de Sucre ao vivo (o Pedro ficou famoso) e muita emoção em ver todas as crianças ficarem ao lado da largada, esperando os atletas passarem para cantar e torcer...
         Iniciada a prova, todos saíram correndo para completar o circuito dentro de 01 hora para que pudessem continuar na competição, o Pedro largou bem tranquilo para conhecer o percurso e não se desgastar devido ao sol, altitude e não ficar muito parado a cada término de cada volta.
          Ao término da primeira volta, o primeiro colocado fez em 27 minutos, o Pedro em 50 minutos, bem conservador, mas agora com a ideia formada de como era o percurso, e para falar a verdade era muito difícil, com muitas subidas, pedras soltas e até passagem por um rio que estava seco...
          Durante as 16 horas que a prova seguiu, adentrando na noite e dificultando ainda mais o percurso, a competição foi finalizada com o Pedro ultrapassando a volta acima de uma hora, ficando em segundo lugar, após deixar muitos atletas para trás. Tivemos a certeza que poderíamos ter ido mais longe, mas a experiência neste tipo de competição, circuito, altitude... temos a certeza que aprendemos muito, méritos ao Roberto de 20 anos, morador de Sucre que foi o grande vencedor.
          Durante a realização da prova, tive a oportunidade de ver crianças (meninos e meninas) de 8, 9 e 10 anos, correrem como gente grande, todos com tênis simples, de shorts ou calça, mas correndo com uma vontade, velocidade e resistência, correram mais de 20 km... uns em cerca de 40 minutos a cada volta... sem contar as senhoras que correram de sandália e saia... típico de vestimenta local .... Falar o que quando temos tênis próprio para distancia curtas ou longas, roupas e equipamentos adequados... eles corriam com alma, nunca tinha visto, quando chegavam cheios de sede, bebiam água, refrigerante e até comiam frutas, mas logo estavam prontos para largar na próxima volta...
          A Premiação foi na quadra da escola da cidade, parou tudo, todos foram prestigiar os grandes atletas, cada um na sua modalidade e distância percorrida, muitas fotos, palmas e emoções... Muitas mães pedindo para tirar foto de seus filhos com o Pedro, era referência para aqueles ňinos (meninos), sem contar os adultos, corredores ou cidadãos que também esperavam sua vez para tirar foto com o Pedro... quanta simplicidade e energia !!!
         Após a prova, tivemos café da manhã oferecido pela comunidade, almoço na casa do organizador e convite para ajudar na prova de 50 km que seria realizada daqui a dois dias, claro que aceitamos, mas essa é outra história...

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Retornado no Taquaral com a estreia da Claudia nas Ultras



          No último dia 24 e 25 de agosto a família Ultraloucos  retornou ao parque Taquaral em Campinas, para as 24/12 horas. Prova realizada em uma pista de 2725 m. Eu (Pedro) , Parreira e Leleo faríamos as 24 horas e, Dicler, Vagner e Claudia, minha esposa, fariam as 12 horas. A atenção ficou por conta da estreia da Cláudia nas provas longas.
         Podemos dizer que foram duas provas distintas. A  primeira metade com muito calor durante o dia, normal para Campinas e uma madrugada gelada. Temos que estar preparados para esses ambientes e suas variações.
        Foi uma prova sem maiores novidades, onde todo ultralouco mostrou muita garra e preparo para enfrentar esse desafio em uma pista de terra batida. Quero aqui salientar a primeira ultra maratona da Claudia, em que sua intenção seria ficar na pista pra me acompanhar. Dei algumas dicas para ela ficar maior tempo possível  na pista e assim ela conseguiu correr toda madrugada sem se preocupar com qualquer colocação ou distância. Quando saiu a última parcial de classificação, às seis horas da manhã, vi que ela estava na sétima colocação geral e segundo na categoria. Avisei-a sobre sua posição, deixando-a motivada para terminar a prova com mais garra ainda e nessas últimas horas pode contar com o pace do amigo João Morelli,  terminando na sexta colocação geral e primeira na categoria, percorrendo 79 Km.
          Como já falei nas redes sociais, fiquei muito feliz e orgulhoso com seu desempenho, portando-se como uma veterana na sua estreia em longas distâncias.
         Gostaria de agradecer nosso amigo Marcio Silva, que mesmo tendo compromissos se dispôs a nos ajudar no apoio.
         Parabéns a toda a família Ultraloucos presentes no desafio e em especial a minha amada Claudia que fez sua estreia com a garra e a grandeza de uma veterana.



quarta-feira, 19 de junho de 2019

Iniciação de um Ultralouco - Pelo Estagiário Filipe


Sexta-feira, véspera do primeiro treino pra ultramaratona que iria fazer, e comecei a sentir a garganta raspar... logo começaram a vir os calafrios, dores no corpo, febre... me deitei e já pensei que não conseguiria acordar no dia seguinte para o treino... foi quando minha mãe veio com um chá de leite queimado com canela, receita que ela viu na internet e seria boa para a garganta... bom, não custava nada tomar... fui e tomei, e tinha que tomar muito quente, mesmo queimando o céu da boca todo, senão não faria efeito... e eu que não esperava nada, em minutos, a febre começou a baixar, o corpo a recuperar e peguei no sono... suei a noite toda e quando acordei para o treino parecia que nunca tinha ficado doente! Me arrumei e fui para o maior desafio que já tive, afinal, o máximo que já havia corrido foram 42 kms, a maratona de SP...

Só sei que quando você ler em algum lugar que ultramaratona é surreal, que o corpo tem que estar muito bem preparado, só não mais que o psicológico, acredite... e cada km vale, cada km tem uma história diferente, cada km tem uma dor diferente e uma motivação diferente... do km 1 ao 17 até a primeira balsa, estava muito bem, subindo todas as pirambeiras bem tranquilo, porém quando chegou a primeira balsa e sentei, o corpo já relaxou, as pernas sentiram e do km 17 ao 29 foi bastante sofrido e de administração... tinha tomado um gel no km 15, outro no 30 (agora sei que preciso suplementar melhor para aguentar bem), mas o que me salvou por incrível que pareça foi a coca-cola com toda sua cafeína e sódio! Nos outros 7 kms até a terceira balsa estava novo em folha! Aí aconteceu algo que eu já sabia, porém não estava acostumado... almoçar no meio do treino para aguentar a volta! Macarrão com ovo! E tem que comer, porque depois dos 30 kms, a quantidade de nutrientes perdidas é algo preocupante! Eu nunca tinha voltado ou começado a correr logo após uma refeição e para mim foram 2 kms de dores abdominais insuportáveis e que me faziam andar! aí chegamos no temido rodoanel, quase 10 kms de rodovia que parecia que nunca vai acabar e a surpresa! Assim que entrei comecei a dar um gás em 3 kms que eu mesmo não acreditei e me fizeram pensar que até o fim do longão, não ia sentir nenhuma dor... ledo engano! Do 45 até o final minhas pernas fadigaram de tal maneira que fui ao inferno e voltei várias vezes! O aplicativo marcou ao final do treino 63,8 kms, então foram quase 19 kms rezando para terminar, pois andar era muito difícil com as pernas extremamente fadigadas, mas não dava para correr o tempo todo, então ficava nesse dilema... esses quase 19 kms ficaram totalmente por conta do psicológico, porque por várias vezes reclamei que não terminava o Rodoanel ou a Anchieta, pensei em pedir um Uber ou me perguntei se ali onde estava passava Uber, ou simplesmente parar ali mesmo e me jogar no chão até dormir... passou tudo pela cabeça! Mas nessa hora, você só tem um objetivo, aponta nele e vai! E quem me ajudou demais nessa hora foi o Dicler, que ficou comigo o tempo todo com um sorriso no rosto, que dizia, “estagiário, sei o que você está sentindo, já passei por isso e sei que você também consegue superar” ou quando na Anchieta me disse, “eu sempre miro um objetivo ao longe quando estou cansado e vou, que nem aquele poste lá ao longe, vou começar a correr de novo a partir dele”... coisas simples que fazem um efeito muito grande psicologicamente. Agradeço demais, além do Dicler, ao Parreira e ao Pedrinho, companheiros dessa loucura e que me fizeram e fazem cada vez mais amar maratonas e ultramaratonas, e que compartilham comigo toda sua experiência e dicas que salvam! Correr mais de 60 kms é possível sim e uma experiência que vale a pena ser vivida!

domingo, 2 de junho de 2019

CALENDÁRIO ROLANDO

O ano de 2019 está em alta velocidade, literalmente voando, assim chegamos ao seu meio, curtindo e vivendo cada segundo, na vida e nas ultras. O calendário está cheio de provas, de todos os gostos, rua, montanha, praias, estradão, parques e pistas, onde procurar haverá uma Ultra, nas mais variadas distâncias. Provas de norte a sul, distribuindo os atletas que anos atrás procuravam por provas para participar e sempre achavam as mesmas (poucas). Nessa época do ano temos provas famosas como a UAI, em Minas Gerais, que movimenta os ânimos dos guerreiros. Teremos uma novidade esse ano, no mês de Julho, uma realização em solo brasileiro de um Panamericano (ou Intercontinental como queiram falar) de 100 km, um grande privilégio da cidade de Bertioga receber um evento como esse, onde estarão (provavelmente) atletas de vários países do continente americano. Se depender de Márcio Zitei, um dos responsáveis pela organização do Panamericano, tenho certeza que esse evento será um sucesso, pois comprometimento, honestidade e empenho são componentes que sobram nesse grande homem. Claro que existem outros fatores que influenciam um evento tão complexo como este, mas a torcida é enorme para que dê tudo certo. No mês de Agosto, os Ultraloucos estarão nas 24 horas de Campinas, evento que contará também com uma prova de 12 horas, além dos revezamentos, que deixam a pista mais rápida e animada. Os treinos não param, a dedicação aumenta, assim como a expectativa, em ver uma Ultramaratona brasileira mais organizada, competitiva e transparente, onde aquela que tem mais a ganhar seja a própria Ultramaratona... Sonhemos!

domingo, 14 de abril de 2019

SUPERAÇÃO E RAÇA

Tudo estava preparado, a estratégia foi traçada, a equipe de apoio formada, alimentos e suplementos separados, tudo pronto para mais uma batalha de Pedro Luiz Cianfarani, incansável Ultramaratonista, a percorrer em sua vida. A prova em questão era "300 o desafio", prova organizada pela Ultrarunner Eventos, percorrida pela belíssima estrada Real, em Minas Gerais. O treinamento foi realizado com sucesso, muitos kms rodados, que supostamente dariam a Pedro confiança em realizar com bravura sua prova. Porém, 3 semanas antes da prova, ele acabara sentindo um desconforto na coxa direita, um sinal de alerta para lhe acompanhar pela difícil corrida que teria pela frente. Mas a confiança era tamanha, que isso não era nem comentado na equipe, devido a bravura e força de vontade que Pedro sempre mostrou nas corridas que já participou. Assim que largaram, a adrenalina tomou conta dos atletas, que certamente dariam tudo de si pra concluir os 300 km. Pedro não estava na lista entre os atletas mais rápidos, mas com certeza sua resistência e a capacidade de ficar muitas horas sem dormir davam confiança aos que estavam em sua torcida. Com o passar dos kms, víamos que não seria uma prova como as outras, onde tudo correria bem, mas seria daquelas que sua força de vontade precisaria ser exigida ao máximo para conseguir concluir os 300 km no tempo desejado. Com 40 km, uma lesão no joelho o assolava, comprometendo sua movimentação correta de corrida, prejudicando sua prova. Mesmo não reclamando muito da dor, era nítido que sentia muito seu joelho e logo sua lesão na coxa começou a dar sinais. A primeira madrugada foi terrível, devido a uma tempestade, com muita chuva e um intenso vento. Quando amanheceu, percebemos que ele estava visivelmente abatido, com sinais aparentes de muito sono. Mas bravamente, seguia em frente, num ótimo ritmo, vencendo as adversidades que surgiram logo no início da prova. Com aproximadamente 28 horas de prova, Pedro passou por seu pior momento na corrida, afligido pelo sono, castigado pela lesão no joelho. Tentávamos de tudo para animá-lo, alimentos, pausas, conversas, mas o sono estava intenso demais, com cerca de 170 km rodados. Após uns 20 minutos de conversa entre os integrantes da equipe, convencemos a tomar cafeína e tentar seguir em frente. A tentativa deu certo e ele voltou pra prova. Seguiu em frente, lutando bravamente contra as dores, que eram muito intensas. Sua força de vontade era emocionante, inspiradora, que naquela altura era sua principal arma para seguir em frente. Com muita luta chegou na segunda madrugada, devastadora em suas condições. Perto das 5 horas da manhã, precisou dar um cochilo de 15 minutos, pois seus olhos estavam literalmente fechados enquanto corria. Após esses milagrosos 15 minutos, de forma impressionante, voltou pra luta, percorrendo a cada metro com muita garra, completando os 300 km em 56 horas e 45 minutos, terminando em quarto lugar geral, fantástico, vencendo as dores, o desgaste físico, o sono e é claro, os 300 km!

quarta-feira, 20 de março de 2019

300 km - O Desafio

Entrando em mais uma aventura, Pedro Luiz Cianfarani encarará pela segunda vez os 300 km do "O Desafio". Em 2017 ele completou os 300 km em 54 horas, terminando em terceiro lugar masculino. Dessa vez, após uma excelente preparação, ele vem determinado a se superar e baixar esse tempo, contando com o apoio de uma equipe para ampará-lo durante todo percurso. A prova tem sua largada na cidade de Tiradentes e sua chegada em Passa Quatro, ambas em Minas Gerais, tendo todo seu trajeto pela estrada Real, ponto turístico da região. A expectativa é grande, para uma excelente participação, contando com muita diversão e acima de tudo, muita garra, durante os 300 km. Agradecemos a todos pela torcida, ao apoio da Ballyhoo, pelas camisetas de alta tecnologia. Boa prova a todos participantes!

sábado, 26 de janeiro de 2019

PEREGRINAÇÃO PELO CAMINHO DA FÉ- por Dicler Agostinetti

Menos de duas horas após a chegada da BR 135+ em quarteto (Beto, Parreira, Pedro e eu Dicler) num tempo aproximado de 28 horas, desde São João da Boa Vista, até Paraisópolis, no dia 18/01/2019,   Parreira,  Pedro e este que vos fala, iniciamos a peregrinação  dessa mesma Paraisópolis até Aparecida do Norte, numa distância de aproximadamente 135 K de caminhada nua e crua, com certeza muito difícil para um corredor, pois corredor gosta de correr e não de caminhar.
Atacamos a primeira grande subida em direção a Canta Galo (Município de São Bento do Sapucaí). De fato não era tão grande assim, mas o cansaço a tornava muito difícil. Chegamos já a noitinha e encontramos a pousada da Vó Elza. Não tinha luz no bairro e mesmo assim, ela nos acolheu com muita cordialidade e simpatia à luz de velas. O banho foi frio e o jantar de lamber os beiços. Dormimos muito bem até aproximadamente 4 horas da manhã quando descobrimos porque o bairro se chama Canta Galo. Os galos despertam e cantaram bem debaixo da nossa janela ininterruptamente.
Já é dia 19 e depois de um café da manhã reforçado, saímos em direção a Luminosa (bairro de Brazópolis) onde passamos de passagem, rumo à primeira escalada , que é a subida do Quebra Perna (8 K de uma subida insana). Passamos rapidamente por algumas pousadas para carimbar a credencial que seria necessária para conseguir o certificado de peregrino, emitido pelo Santuário de Nossa Senhora Aparecida.
Vencido o Quebra Perna passamos pela Pousada Barão Montês (São Bento do Sapucaí) onde o Sebastião, um cozinheiro muito prestativo saiu de seu descanso para fazer um almoço digno de um rei.
Seguimos sem mais delongas rumo a Campos do Jordâo numa longa jornada pelo município em questão.
Pousamos no Refúgio dos Peregrinos,  um lugar muito prestativo e agradável e jantamos num restaurante pequenino com uma comida muito saborosa (infelizmente não lembro o nome agora). Mesmo depois de encher o bucho Parreira e Pedro ainda encararam um big hambúrguer, sinceramente delicioso ( eu também experimentei). Prometi aos donos voltar em julho, quando tem o festival de inverno, para comer mais.
Foi sugerido que desde a Pousada até a saída para Gomeral/ Pedrinhas ( bairros de Guaratinguetá) fossemos de ônibus, pois o caminho seria muito perigoso para o peregrino (em torno de 16 k), devido a grande risco de atropelamento. Assim fizemos, juntamente com mais alguns peregrinos.
À  partir de então iniciamos um novo ataque à última montanha de subida moderada. Desde a fronteira de Campos do Jordão para Guaratinguetá iniciou-se uma grande descida com muitas pedras grandes e soltas pela estrada. Tivemos que descer com muito cuidado, devido ao grande risco de queda
Quase finalmente fizemos o último almoço na pousada do Agenor, onde sua esposa (não soubemos seu nome) nos ofereceu novamente uma refeição deliciosa e farta. Ela disse gentilmente:  "Come bastante porque vocês estão gastando muita energia no caminho". Uma gracinha essa senhora.
Agora é tudo ou nada! Temos que chegar ainda hoje! Vamos embora. Inicia-se um trajeto praticamente plano até Aparecida, passando pelo Município de Potim, onde faltando aproximadamente 11 K para o término da jornada, uma chuva intensa veio para lavar a alma e o corpo de qualquer cristão.
Chegamos finalmente em Aparecida por volta das 18;30 h do domingo, 20/01/2019.
Estava terminando a última missa do dia e agradecemos. Só agradecemos o término da jornada. Impossível não se emocionar e não chorar. O choro é inerente ao ser humano. Muita alegria nesse momento.
Começamos em três. Terminamos em muitos: nossas esposas, nossos filhos, nossos pais, irmãos, a grande família Ultraloucos, amigos corredores e não corredores.
Obrigado, obrigado, obrigado!

PS: O caminho é muito lindo. Infelizmente ainda com pouca estrutura para o peregrino. Faltam pontos de apoio. Acredito que isso melhorará no decorrer do tempo. Vamos torcer para que isso aconteça de fato.